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VÍDEO: Operação do Gaeco acaba com bate-boca entre policiais e advogados na Depac

  • 7 de jul.
  • 4 min de leitura

Delegacia está lotada para atendimento e recebeu os presos da operação


Na tarde desta terça-feira (7), a recepção da Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada) foi palco de discussão entre advogados e policiais civis. Isso porque os advogados tentam falar com o cliente Felipe Jafar, que está preso.


A delegacia está cheia, e os policiais civis atendem os presos levados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Ao todo, são 16 mandados de prisão e ao menos 11 alvos foram para o Cepol, conforme o Jornal Midiamax apurou.


No entanto, os advogados tentaram contato com o preso e receberam negativa, para não atrapalhar o andamento dos atendimentos na delegacia neste momento. O policial chega a falar que precisa remover agentes da recepção para que acompanhem o advogado, mas que não conseguiria fazer isso, já que outras pessoas ali buscam atendimento.


Discussão na delegacia

“Não vou deixar uma funerária aqui esperando para atender eles [advogados] no meu plantão, eu não vou permitir isso”, disse o chefe de plantão do Cepol.

“A delegacia está para atender todo mundo, cada um no seu tempo. Cada advogado que chegar aqui eu tenho que deixar de atender a população para levar o advogado até lá. Peço um pouco de paciência porque tá todo mundo aqui desde cedo”, disse um dos investigadores ao grupo de advogados.

Os advogados não se identificaram e preferiram não comentar com o Jornal Midiamax sobre a discussão. No entanto, disseram que encaminhariam denúncia para a Corregedoria da Polícia Civil.


Operação Gutenberg


Gaeco esteve na manhã desta terça-feira na Central de Regulação. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)
Gaeco esteve na manhã desta terça-feira na Central de Regulação. (Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Jéssyca Duarte Burgatt está na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Jéssyca é filha do coordenador de regulação do Core (Complexo Regulador Estadual), Ed Carlos Britto Burgatt, que também foi preso. Ele é auditor de serviços de saúde e deverá ser afastado durante os procedimentos no Governo.


Já ela é empresária, dona de um plano de saúde na Capital. Ao todo, o Gaeco prendeu 16 pessoas nesta manhã, por investigação de esquema que desviou R$ 27 milhões em recursos públicos.


Confira os alvos confirmados até o momento:

  • Rossana Paroschi Jafar, empresária;

  • Olívia Jafar, médica e filha de Rossana;

  • Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul;

  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar;

  • Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS;

  • Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo;

  • Francisco Anizio dos Santos;

  • Matheus Oliveira Peixoto;

  • Joatan Gomes Peixoto;

  • Paulo Rogério de Melo.


Além disso, o Jornal Midiamax apurou que Marcio de Souza foi alvo de busca e apreensão em Porto Murtinho. A polícia fez a prisão em flagrante após encontrar uma arma na casa dele. Entretanto, ele pagou fiança e conseguiu liberdade.


Souza estaria atuando como gerente administrativo de Transportes na Secretaria de Educação de Porto Murtinho, mas, na época investigada, ele estaria lotado no setor de licitação.


Outro alvo de busca seria, dessa vez em Caarapó, a casa de José Roberto Cardoso, o Mabel, que foi ex-chefe de gabinete do ex-prefeito André Nezzi (PSDB).


Desvios de R$ 27 milhões

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.


As investigações revelaram que o grupo usava a liberação para exames e internações como moeda de troca para forçar gestores a comprarem livros. O esquema desviou mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.


A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.


O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.


Governo de MS se manifestou sobre servidores

O Governo de Mato Grosso do Sul emitiu nota informando que irá afastar ou exonerar servidores envolvidos na Operação Gutenberg. O Governo afirmou que instaurou auditorias para apurar os procedimentos suspeitos de fraude.


As investigações apontaram que o esquema atuava na regulação estadual de saúde, em que usava a liberação de exames e internações como ‘moeda de troca’ para forçar gestores públicos a comprarem livros didáticos.


Entre os alvos, estão o coordenador da regulação — o Core —, Ed Carlos Britto Burgatt, e o ex-prefeito de Fátima do Sul Júnior Vasconcelos, que é escrivão concursado da Polícia Civil. Já Felipe Paroschi Jafar, comissionado na Agesul, deverá ser exonerado.


Ex-prefeito

Júnior Vasconcelos foi prefeito de Fátima do Sul entre 2013 e 2016, mas mora atualmente em Campo Grande, onde atua como assessor parlamentar na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), no gabinete do deputado Jamilson Name (PP). Ele é concursado na Polícia Civil para o cargo de escrivão.


O parlamentar emitiu nota à imprensa esclarecendo não ter relação alguma com a Operação Gutenberg. Conforme o texto, Júnior Vasconcelos não atua como chefe de gabinete. Ele é escrivão e está cedido para atuar no gabinete do deputado para exercer funções administrativas.


Na nota, Jamilson Name também afirmou prestar respeito às instituições e entende que as investigações devem ocorrer com responsabilidade e observando o devido processo legal.


Fonte: Midiamax



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