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Prefeitura apura se donos do Consórcio Guaicurus agiram de má-fé em crise do transporte

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura
Guarda Municipal cumpre decisão de intervenção na sede do Consórcio Guaicurus. (Leo de França, Jornal Midiamax)
Guarda Municipal cumpre decisão de intervenção na sede do Consórcio Guaicurus. (Leo de França, Jornal Midiamax)

Comissão especial pode responsabilizar empresários pela precariedade dos serviços prestados


A venda do Consórcio Guaicurus para o grupo HP Mobilidade não vai significar o fim das responsabilidades sobre o contrato de concessão para os antigos gestores do transporte coletivo de Campo Grande. O diretor-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Delegados), Paulo da Silva, confirmou que a agência reguladora e a comissão de intervenção vão apurar a existência de dolo — culpa — por parte dos donos do Consórcio Guaicurus no descumprimento do contrato de concessão.


Em entrevista, o diretor da agência afirma: “Vendeu, mas não exime de responsabilidade. Durante cinco anos, o gestor anterior continua responsável pelos atos que cometeu”, declarou.


A apuração do dolo vai debruçar-se sobre o histórico de descumprimento do contrato de concessão, assinado originalmente para durar até 2032. Segundo o órgão regulador, o Consórcio Guaicurus começou a apresentar gargalos já no quarto ano de contrato, acumulando problemas sem realizar as devidas correções.


Um dos pontos mais críticos é o estado da frota: atualmente, 230 ônibus estão com a idade limite vencida. A Agereg questiona o fato de as empresas cobrarem na Justiça reajustes tarifários — alegando que a tarifa técnica deveria ser de R$ 7,79 —, ao mesmo tempo em que deixavam de cumprir a obrigação básica de renovação dos veículos.


Além disso, o contrato previa revisões a cada sete anos, mas nenhuma foi realizada no 7º e no 14º ano da concessão. Com a transição atual, o município pretende utilizar o 3º período revisional para promover uma devassa no histórico da prestação do serviço: “Já que venderam, vamos pegar tudo o que foi feito e o que não foi feito, corrigir e trazer para um novo cenário”, afirmou o órgão.


Diesel comprado com cartão de crédito

A intervenção decretada pela Prefeitura de Campo Grande revelou o nível de estrangulamento financeiro do sistema. Quando os interventores assumiram o comando do Consórcio Guaicurus, depararam-se com uma dívida imediata de R$ 6 milhões apenas em óleo diesel, com a frota sendo abastecida mediante o uso de cartões de crédito.


O processo de compra pelo grupo HP engloba a totalidade do negócio — 100% do ativo e do passivo de cinco CNPJs distribuídos em três empresas e no próprio consórcio. A transação inclui a compra de duas garagens em Campo Grande.


Os valores exatos do negócio ainda não foram tornados públicos, pois dependem da consolidação dos balanços e dos balancetes de 2025, documentos que a Agereg está cobrando dos donos do Consórcio Guaicurus para auditoria completa.


Em nota, o Consórcio Guaicurus diz que “já apresentou, por diversas vezes, à Comissão Interventora, os balancetes relativos à operação do Sistema Integrado de Transporte de Campo Grande. Todos os protocolos que provam tais entregas estão na posse do Consórcio. Independentemente disso, o Consórcio irá reapresentar todos esses documentos no processo administrativo aberto recentemente pela Prefeitura de Campo Grande“.


Transação deve durar seis meses

Apesar da visita dos empresários Edmundo Pinheiro e Gustavo Bacelar ao gabinete da prefeita Adriane Lopes (PP), nesta semana, para comunicar a aquisição, a transferência do serviço não é imediata. Todo o trâmite regulatório e jurídico deve levar cerca de seis meses e ocorrerá de forma paralela à intervenção municipal, que está mantida até o final do ano.


A comunicação sobre a intenção de compra é apenas o primeiro passo. Por se tratar de uma concessão de serviço público essencial, a empresa compradora precisa apresentar o plano de trabalho para que a Prefeitura autorize oficialmente o início das operações.


Enquanto isso, os trabalhos de intervenção seguem normalmente. A prefeita Adriane Lopes já adiantou que exigirá a troca dos ônibus sucateados deixados pelos antigos donos do Consórcio Guaicurus, bem como a previsão de melhoria para muitos outros pontos falhos do atual serviço.


Cabe ressaltar que a nova empresa pertence ao grupo HP Mobilidade, que já opera o transporte coletivo em Goiânia e em áreas de Brasília. No entanto, foi criada uma empresa de propósito específico, chamada Maas Administração e Participações Ltda.


Fonte: Midiamax




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