Vereadores pedem suspensão dos consignados de servidores de Campo Grande com o Master
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Justiça já analisa mesmo pedido feito pela Federação dos Servidores
Após a Feserp (Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de MS) entrar na Justiça para tentar suspender os consignados que os servidores têm com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, nesta semana, vereadores também cobraram a medida.
Na sessão desta quinta-feira (5), requerimento assinado pelo vereador Landmark (PT) pediu que o município promova a imediata suspensão dos descontos em folha de servidores relativos a empréstimos, cartões consignados e demais modalidades de crédito sob custódia do Master.
O documento pede ainda a suspensão da retenção em conta de controle específica dos valores, já descontados e ainda não repassados à instituição, até orientação das autoridades, bem como ampla comunicação aos servidores de que a medida não seria um perdão das dívidas, apenas uma providência administrativa de proteção remuneratória.
Por fim, o vereador encaminha o requerimento ao TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de MS) e MPC (Ministério Público de Contas).
“Existe uma preocupação muito grande do sindicato. A ideia é buscar proteção aos trabalhadores, àqueles que buscaram dinheiro do Master. O sindicato visa dar esclarecimentos. Já foi judicializado e buscam proteção”, disse Landmark.
O vereador Jean Ferreira (PT) comentou o caso: “A gente está acompanhando a ação civil pública de maneira jurídica para conseguir suspender isso”.
Justiça analisa suspensão de consignados
A federação de servidores pediu uma liminar após o Master ter sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Apuração policial revelou um rombo, fraudes financeiras e comercialização de créditos com taxas abusivas.
Por isso, pediu à Justiça que o município de Campo Grande e o Governo de Estado suspendam os descontos consignados ou qualquer procedimento de crédito de servidores cuja titularidade seja do Master.
A estimativa é de que o IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) tenha investido quase R$ 1,4 milhão no Banco Master.
O presidente do instituto, Marcos Tabosa, afirmou, na época da liquidação do banco, que a Prefeitura de Campo Grande iria entrar na Justiça Federal para reaver o dinheiro. Em Mato Grosso do Sul, cinco cidades investiram um total de R$ 15,7 milhões na instituição financeira.
Investigações contra o Banco Master
Tabosa explicou que o valor representa apenas cerca de 3,2% do fundo previdenciário municipal. Uma das possibilidades para recuperar o montante é por meio do abatimento de consignados que o instituto tem, de R$ 500 mil mensais. Assim, ao suspender a cobrança por três meses, seria possível obter os recursos novamente.
O diretor-presidente do IMPCG afirmou que o investimento foi feito mediante parecer técnico da agência Fitch Ratings. A Fitch Ratings tem sedes em Nova Iorque e Londres. É uma agência internacional de classificação de risco de crédito (ou rating). Ela faz parte das chamadas “Big Three” (Três Grandes): o trio de agências dominantes no setor, ao lado da Moody’s e da S&P (Standard & Poor’s).
Servidores com consignado
A federação também cita na peça inicial que os servidores relatam a impossibilidade de acessar cópia dos contratos de consignado Credcesta — nome comercial do Master — e de obter informação sobre o valor exato devido pela dívida contraída, mesmo com descontos persistindo em folha.
Esse último caso, conforme a Feserp, agrava o risco de superendividamento e viola deveres de transparência consumerista.
Por isso pediu a liminar para que tudo seja suspenso. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais, determinou a intimação da Prefeitura de Campo Grande e do Governo de MS para se manifestarem sobre o pedido de liminar.
Fonte: Midiamax








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