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Pesquisa acha substâncias tóxicas em 53% de vítimas de morte violentas

  • há 1 hora
  • 2 min de leitura
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Não é possível estabelecer relação de causa e efeito, diz pesquisador


Em mais da metade das mortes violentas ocorridas em quatro capitais brasileiras, as vítimas tinham substâncias tóxicas no organismo, segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP). Foram avaliados mais de 3,5 mil óbitos em Belém, Recife, Vitória e Curitiba.


Os pesquisadores encontraram álcool, um conjunto de drogas ilícitas e medicamentos psicoativos em 53% dos casos de mortes, de acordo com divulgação da Revista Fapesp.


Segundo o biomédico toxicologista Henrique Bombana, pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, a associação entre as substâncias e a morte violenta pode ser mais complexa, porque a pesquisa analisou apenas amostras das vítimas, e não dos agressores e demais envolvidos.


"Principalmente nos casos relacionados ao trânsito em que as vítimas foram pedestres. seria muito importante verificar os demais envolvidos, os condutores dos veículos que atropelaram essas vítimas. O mesmo vale para os homicídios. Entender o contexto e os agressores seria de suma importância para entender realmente qual foi a influência do consumo de drogas nas mortes".

O estudo fez parte de um convênio com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos.


Belém, Recife, Vitória e Curitiba foram escolhidas com base na taxa de mortalidade por causas externas e por serem rota de tráfico de drogas. 


Entre 2022 e 2024, 90% das mortes analisadas foram de homens. Mais da metade tinha 30 anos ou mais, e 67% foram vítimas de homicídio. Acidentes de trânsito e suicídios foram, respectivamente, 15% e 9%.


As drogas mais detectadas foram cocaína (30%), a mais ligada aos homicídios; e o álcool (28%), mais ligado aos acidentes de trânsito. Medicamentos como tranquilizantes foram encontrados em 7% das mortes, e cannabis, 2%.


Apesar de ter sido detectada alguma relação entre drogas e mortes, o biomédico Henrique Bombana afirma que não dá para estabelecer uma relação simples de causa e efeito


"Apesar de a cannabis ser a droga ilícita mais consumida no Brasil, na nossa amostragem esse fato não se refletiu. Então sobre os padrões de consumo e características socioeconômicas das vítimas, não podemos fazer nenhum tipo de inferência por não termos coletado dados sobre essas variáveis".

O mapa das ocorrências fatais também não é uniforme. Recife teve prevalência de mortes associadas ao álcool; Vitória e Belém, ao uso de outras drogas ilegais; Curitiba, com o álcool se sobrepondo a outras drogas.


Segundo os pesquisadores, essas diferenças podem orientar políticas públicas focadas na realidade de cada região.

 

*Com produção de Salete Sobreira



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