Justiça autoriza perícia de contas na Santa Casa de Campo Grande após empasse sobre repasses
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Análise financeira vai verificar déficit alegado pelo hospital e o cumprimento de metas contratuais cobrado pela Prefeitura
A disputa judicial entre a Santa Casa de Campo Grande, a Prefeitura Municipal e o Governo de Mato Grosso do Sul ganhou um novo desdobramento. A Justiça Estadual determinou a realização de uma perícia financeira detalhada nas contas do hospital com o objetivo de esclarecer a real situação orçamentária da instituição, que alega enfrentar uma crise prolongada.
A decisão foi assinada pelo juiz Claudio Müller Pareja, da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos. Como as partes envolvidas não indicaram peritos, o magistrado nomeou os especialistas Eduardo de Freitas Gomide e Marcos Starling, da empresa GRC Visa Consultoria Empresarial, para conduzir a auditoria.
Foco nos contratos e cumprimento de metas
O trabalho dos auditores vai debruçar sobre o histórico financeiro e documental da Santa Casa a partir do ano de 2021, período previamente estabelecido em acordo judicial. O grupo terá um prazo de 60 dias para entregar o laudo definitivo após o início oficial das atividades.
A determinação da perícia atende a um pedido da Prefeitura de Campo Grande. O município argumenta que o hospital não vem cumprindo integralmente as metas de atendimento estipuladas em contrato e exige a checagem das contas antes de avançar na renegociação dos repasses financeiros.
Cobrança de recomposição orçamentária
Do outro lado, a direção do maior hospital de Mato Grosso do Sul cobra um reajuste de R$ 158 milhões anuais no convênio repassado ao complexo de saúde. A administração da unidade sustenta que acumula um déficit mensal da ordem de R$ 13 milhões, provocando atritos frequentes, atrasos em pagamentos de salários e falta de insumos médicos básicos.
A presidente do hospital, Alir Terra, ressalta que o orçamento atual congelou enquanto as despesas operacionais dispararam. Custos de medicamentos, produtos hospitalares e reajustes salariais do corpo médico e da enfermagem são apontados pela entidade como os principais vetores do desequilíbrio das contas.
Validade do contrato atual
Enquanto o mérito da ação judicial não é julgado e a perícia não é finalizada, a Santa Casa continua recebendo os repasses previstos pelo contrato anterior. Por determinação da Justiça, segue mantido o repasse mensal de R$ 32,7 milhões (o equivalente a R$ 392,4 milhões por ano), valor considerado insuficiente pela gestão hospitalar para garantir o funcionamento com capacidade máxima.








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