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‘Coxinheva’: morador da comunidade Tia Eva cria coxinha sequinha e com recheio inusitado

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura
(Graziela Rezende/Jornal Midiamax)
(Graziela Rezende/Jornal Midiamax)

Novidade tem deixado os moradores da comunidade muito contentes e com água na boca


A comunidade quilombola Tia Eva, em Campo Grande, está em reforma, deixando os moradores emocionados com o projeto, que inclui restauro da igreja e a requalificação do entorno. Além disso, há alguns dias, uma novidade tem deixado a população muito contente e com água na boca: a criação da “coxinheva”, nos sabores tradicionais de frango, carne e até presunto e queijo — inusitado para coxinha —, a qual se tornou uma das mais vendidas.


A ideia é do empreendedor Jeovane Guilherme da Silva, de 37 anos, nascido e criado no Quilombo Furnas do Dionísio, mas que está na comunidade há 13 anos. “A minha finada avó tem terra aqui, minha mãe é herdeira e eu vim para cá atrás de emprego. Hoje eu sou líder de produção em uma empresa de água e também empreendedor. Em fevereiro do ano passado, fui na praia e, sentado e de frente para o mar, fiquei refletindo e voltei decidido a ter o meu próprio negócio também, e aí as coisas foram acontecendo”, relembrou.


Já de volta à capital sul-mato-grossense, conta que a esposa e uma prima decidiram fazer coxinha para comerem no fim de semana, quando, sem perceber, ele passou a se interessar pelo processo. “Sou nascido e criado lá na Furnas, na comunidade. Lá eu via as mulheres cozinhando, aquilo ficou na minha memória. E aí, quando minha esposa e prima fizeram, resolvi fazer também a coxinha de mandioca. Daqui de casa, passei a levar no trabalho e depois fui construindo o meu espaço próprio”, argumentou.


Coxinha é de mandioca: ‘Mais firme e saborosa’

Aos poucos, Jeovane foi incrementando e fazendo outros salgados, como o risoles. “A massa é de mandioca, que é, sem dúvidas, a mais saborosa. É mais crocante que a de trigo; a de trigo é mais pastosa, e a receita com mandioca a deixa mais firme e saborosa. Fui aprendendo, moldando aos poucos, e tirei do papel essa ideia de empreender; então, comprei as coisas e fui fazendo, é um processo que durou cerca de quatro meses”, contou.


Conforme o empreendedor, até a mandioca precisa ser selecionada. “Eu brinco que não é qualquer mandioca que dá coxinha, tem que ter liga. E tudo eu fui pesquisando também, visitei vários atacadistas, porque eu que faço o recheio, os temperos e também uma maionese caseira. A mandioca, no caso, é da Furnas, é da comunidade onde eu nasci. Tenho o meu segredinho, sempre tem. E esses eu não conto”, brincou.


‘Faltava uma opção assim na comunidade’, diz empreendedor

Em sua rotina, Jeovane leva os salgados no serviço e, após construir a lanchonete na rua principal da comunidade, a Eva Maria de Jesus, conta com a ajuda do filho e um sobrinho para atender os clientes, além da esposa, no preparo diário.


“Comprei a estufa, o maquinário industrial, eu mesmo trabalhei na construção do espaço e depois um primo me ajudou a colocar o piso. Desde então, acordo às 4h, faço e levo para o serviço e também vendo aqui. As pessoas da comunidade estão gostando muito, falam que falta uma opção como esta por aqui”, argumentou.

No trabalho, os colegas brincam que Jeovane é “igual Casas Bahia, todo mês tem que pagar o carnê”. No entanto, no caso dele é no caderninho do fiado, mesmo. “Os meninos me pagam mensalmente. E o serviço, em geral, começou há cinco anos. Agora, no meu espaço próprio, com a cozinha industrial, tem nove meses, é bem recente. Eu demorei um pouco, porque cheguei a ter dúvidas se iria dar certo, até que eu fiz essa viagem e voltei determinado, com a ideia fixa na cabeça”, comentou.


A produção, que começou pequena, hoje já alcança centenas de salgados diariamente. “Tem o risoles também. E o pessoal da comunidade super incentiva, apoia, toda hora passa gente, pega e leva. Aqui já não sou mais o Jeovane, sou o salgadeiro da comunidade. E tenho muito orgulho daqui, da comunidade. Quero que este lugar cresça a cada dia”, afirmou.


Clientela fiel brinca que salgado é viciante

A dona de casa Celiana Pinto Luz, de 49 anos, vai ao local todo fim de semana. “Sou daqui da comunidade, mas, com a correria, deixo para vir todo sábado com o meu marido. Estou achando ótimo, aqui faltava, e é muito bom o produto dele. É bom e gostoso. O recheio, a massa, tudo”, comentou.


Antigo colega de trabalho de Jeovane, o auxiliar de estoque Vinicius dos Santos da Silva, de 25 anos, era um dos clientes que compravam fiado e pagavam fielmente no pagamento. “Trabalhamos juntos por dois anos e, lá na empresa, era sempre assim, como se fosse um carnezinho, todo mês para pagar. Você comia e ele ia anotando. E era algo viciante, a gente pensava: ‘Vou comer só hoje, amanhã não como’. E no outro dia a gente estava lá comendo, o salgado é muito bom, impossível comer um só”, opinou.


Por fim, o jovem fala que o Jeovane é “uma pessoa de tirar o chapéu”. “Falo isso porque não é todo mundo que madruga três, quatro da manhã, para fazer coxinha. Precisa ter muita disposição, e acho que ele já está apto para vencer na vida. E os salgados são maravilhosos, bons mesmo”, encerrou.


Confira parte da produção da ‘coxinheva’:



Fonte: Midiamax

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