Colapso de geleira provoca rastro de destruição e deixa centenas de vítimas no Nepal e Tibete
- há 15 horas
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Fenômeno gerou abalo sísmico de magnitude 5,2 e desencadeou enxurrada de lama que devastou vilarejos na fronteira entre os dois países.
Uma catástrofe de grandes proporções atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e o Tibete na última quarta-feira (27). O descolamento maciço de um bloco de gelo a cerca de 5.200 metros de altitude deu origem a uma corrida devastadora de lama, rochas e detritos, deixando ao menos 362 mortos e mais de 1.300 pessoas desaparecidas ao longo do vale do rio Bhote Khoshi.
O desastre começou quando uma pedaço substancial de geleira se desprendeu nas altas montanhas e despencou em direção ao vale. Segundo especialistas do instituto neozelandês GNS Science, o impacto gerou uma avalanche de escombros de alta velocidade que arrastou vegetação, sedimentos e rochas. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a massa líquida e densa atingiu um posto de controle na fronteira, cobrindo a estrutura rapidamente enquanto moradores e trabalhadores tentavam fugir.
Falso alarme de terremoto
Inicialmente, redes internacionais de monitoramento detectaram um evento sísmico de magnitude 5,2 por volta das 8h37 no horário local (23h52 no horário de Brasília). O sinal levou à hipótese inicial de que um terremoto teria atingido a região. Contudo, análises posteriores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmaram que a vibração registrada foi causada unicamente pela força do impacto do colapso de gelo e do fluxo massivo de detritos no solo.
Pesquisadores utilizam imagens de satélite e medições terrestres para remontar o curso dos eventos. Entre as possíveis causas investigadas está o transbordamento violento de lago glacial (GLOF, na sigla em inglês), fenômeno em que represamentos naturais de água formada pelo derretimento de gelo se rompem subitamente. Embora alguns analistas não tenham identificado lagos glaciares na rota direta, a possibilidade de acúmulo temporário de água de degelo durante a queda do bloco não está descartada.
Desafios no alerta e resgate
As autoridades nepalesas emitiram os primeiros avisos de emergência por volta das 9h no horário local para as comunidades situadas às margens do rio. No entanto, a rapidez do avanço do fluxo limitou drasticamente o tempo de reação das populações afetadas. Especialistas apontam que a mistura de terra e água desloca-se a velocidades comparáveis às de um "concreto líquido", tornando ineficazes tentativas de fuga a pé ou em veículos e restando como alternativa apenas o abrigo imediato em pontos elevados com mais de seis metros de altura.
Embora o evento ainda passe por avaliações rigorosas de atribuição, cientistas destacam que o aquecimento global impõe pressão contínua sobre as massas de gelo em altitudes elevadas, aumentando a frequência de retração glacial e a instabilidade nas cadeias montanhosas. As operações de busca e resgate seguem na região, dificultadas pelo acesso complexo e pelo rastro de destruição deixado nas vias e pontes da localidade.








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