Uso do etanol em carros flex estagna e mexe com o mercado global de açúcar
- há 13 horas
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Mesmo com vantagem financeira nas bombas em 67% do país, desinformação e intervenções nos preços da gasolina seguram a adesão dos motoristas ao biocombustível.
A preferência pelo etanol hidratado entre os motoristas brasileiros de veículos flex continua sem engrenar. Atualmente, apenas 29% da frota com tecnologia bicombustível abastece com o renovável, patamar mantido desde 2024. O índice está acima dos 22% registrados em 2023, mas permanece aquém do auge atingido em 2019, quando alcançou 36,7%. A avaliação é da consultoria Datagro, que alerta para os reflexos desse cenário na dinâmica do setor de açúcar e álcool.
Segundo o presidente da consultoria, Plinio Nastari, a baixa adesão ocorre em um momento favorável ao biocombustível: neste ano, o etanol apresentou vantagem econômica em relação à gasolina em 67% do território nacional. Para o executivo, o descompasso entre o preço competitivo e o consumo real reflete gargalos de comunicação. "Há muita desinformação sobre o etanol", apontou Nastari, ressaltando que mitos e receios antigos de motoristas persistiram, apesar da evolução tecnológica dos motores.
Caso a participação do etanol na frota retornasse ao nível de 2019, haveria um incremento estimado de 8 bilhões de litros no consumo anual. Essa demanda adicional seria fundamental para absorver o salto de produção projetado para a safra 2026/2027, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um recorde de quase 42 bilhões de litros — uma expansão impulsionada pelo crescimento do etanol de milho e pela maior destinação de cana para as usinas de combustível.
Distorções nos preços e impactos no açúcar
Além dos problemas de comunicação com o consumidor, as políticas de contenção de preços dos combustíveis fósseis também têm limitado o avanço do etanol. Intervenções federais para amortecer os reflexos da alta do petróleo no mercado internacional — impulsionada pelos conflitos no Irã — mascaram o ganho relativo do renovável. Mesmo com a Petrobras praticando valores abaixo da paridade de importação (fixada em R$ 4,50 por litro) e com o Brasil tendo importado 2,5 bilhões de litros de gasolina ao longo do ano, o preço do etanol nas bombas permanece amplamente vantajoso, sem que isso se traduza em ganho proporcional de mercado.
Essa hesitação do motorista brasileiro repercute diretamente na indústria açucareira global. Devido à flexibilidade das usinas do Centro-Sul do país, a hesitação na demanda por combustível direciona o planejamento da produção entre mais álcool ou mais açúcar.
Com receios recentes sobre os impactos do fenômeno El Niño na colheita e o anúncio de importação de açúcar sem tarifas pela Índia, as cotações internacionais do adoçante voltaram a subir. O movimento torna a produção de açúcar mais atraente, o que já provocou um reajuste de cerca de R$ 0,20 por litro no etanol desde o início do mês, revertendo a trajetória de queda nos valores pagos às usinas e repassados aos postos.








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