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Secretário promete ‘penalizar’ furões de plantão para amenizar desfalques em postos de saúde

  • Foto do escritor: Fabio Sanches
    Fabio Sanches
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura
Marcelo Vilela reassumiu a pasta na gestão de Adriane Lopes. (Foto: Divulgação/UFMS)
Marcelo Vilela reassumiu a pasta na gestão de Adriane Lopes. (Foto: Divulgação/UFMS)

Marcelo Vilela explica como deve encarar falta de remédios e médicos nas unidades de saúde de Campo Grande


O novo secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, retornou à pasta identificando gargalos críticos na rede municipal que vão além do subfinanciamento. Em entrevista ao Jornal Midiamax, ele explica como deve encarar as duas reclamações mais recorrentes dos usuários do SUS em Campo Grande.


O gestor afirmou que o abastecimento de medicamentos na Capital gira em torno de 80% a 85%, mas o remédio, muitas vezes, não chega ao paciente porque o profissional, na ponta, desconhece o estoque.

“Eu acho que é falta de comunicação. É uma secretaria muito grande, os servidores estavam acostumados a faltar. Os próprios médicos, enfermeiros, às vezes eles não estão sabendo que [os remédios] estão lá”, explicou Vilela. 

Para sanar o problema, ele determinou a criação de um informativo técnico para atualizar as unidades sobre os itens disponíveis. “Essa informação da população vem do profissional, do enfermeiro. Ele fala: ‘Ah, esse aí não tem’. E tem, às vezes já chegou na unidade.”


Burocracia como entrave

Vilela criticou o modelo de licitação pública, ilustrando a forma idêntica de compra de itens de escritório e insumos vitais. 


Segundo ele, o processo para chegar a uma ata de preço ou empenho é “extremamente difícil” e suscetível a comportamentos predatórios de empresas que vencem o certame e depois travam a entrega pedindo reajustes.


“Para comprar uma cadeira, uma caneta, uma televisão, é a mesma coisa de comprar um antibiótico. Só que qual é a importância para a sociedade de uma cadeira e de um antibiótico? Se você não dá um antibiótico, pode ter problema para um monte de gente, até morte. E não é dado esse tratamento para a saúde”, pontuou o secretário.

O gestor demonstrou preocupação com prefeituras que recorrem a compras de urgência por inexigibilidade, alertando que o Tribunal de Contas cobrará justificativas técnicas no futuro. Por isso, defende o cumprimento do processo ordinário, mas com maior agilidade e acompanhamento direto do gabinete.


Questionado sobre o papel do planejamento para contornar esses desafios, que fogem do escopo da administração municipal, Vilela afirmou que a ausência de diálogo entre a chefia da pasta e os responsáveis por comprar e gerenciar os estoques surge como outro obstáculo no manejo do material farmacológico.


“Aqui, dentro da Secretaria de Saúde, existem as áreas técnicas que fazem isso. O problema, às vezes, é que não existia muita comunicação dos secretários, dos subintendentes, nas áreas. E aí o negócio, o processo, engasga e não é passado pro secretário. Mas, na verdade, o alinhamento, é isso que eu tô fazendo agora”, afirmou.

‘Força-tarefa’ contra furos em escalas

Outro ponto sensível abordado pelo secretário é a ausência de profissionais nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Vilela revelou que o problema central reside nos “plantões extras”, utilizados por médicos e enfermeiros para dobrar a renda, mas que carecem de compromisso de comparecimento.


“Existe um comportamento muito ruim aqui, que é um dar atestado para o outro. Eu já falei na semana passada com o RH, então, a gente vai fazer uma força-tarefa; eu já pedi pra ser justo, entendeu? Lógico que vai ter pessoas doentes, vai ter… Mas, se a pessoa pegou o plantão extra, é responsabilidade, ela não pode faltar; porque, senão, desfalca lá, e você não tem, assim, de última hora, [alguém para substituir]”, disse.

O secretário planeja realizar uma auditoria rigorosa sobre os atestados apresentados pelas equipes de saúde e acionar os comitês de ética e conselhos profissionais se necessário. Ele confirmou que penalizações serão atribuídas aos furões de escala sem a devida justificativa.


“Não pode: ‘Ah, hoje eu não quero trabalhar. Não, hoje eu tenho que viajar’. Porque o plantão extra não é compromisso? É para ser compromisso, mas a pessoa não tem o compromisso de comparecer. Esse é um dos grandes gargalos”, desabafou.

A expectativa do secretário é de que a saúde municipal apresente uma melhora gradual em um cronograma de seis meses a um ano.


Fonte: Midiamax


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