Prefeitura manda Consórcio Guaicurus tirar 197 ônibus velhos de circulação em Campo Grande
- Fabio Sanches

- 7 de jan.
- 3 min de leitura

Diretor da Agereg diz que empresários do ônibus receberam ao menos seis multas por descumprimento de contrato
A Prefeitura de Campo Grande mandou o Consórcio Guaicurus trocar pelo menos 197 ônibus das ruas da Capital. Mesmo recebendo isenções fiscais e subsídios milionários, e sendo multada por descumprimentos de contrato, há mais de um ano a empresa não oferece novos veículos aos seus usuários, mantendo a frota sucateada e falhas diárias em atender os passageiros.
Conforme o Diretor-Executivo da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos), Otávio Figueiró, em 2024, o Executivo multou o Consórcio Guaicurus em R$ 12 milhões — ainda não pagos pelos empresários do ônibus. Mesmo assim, a empresa segue descumprindo o contrato.
“Aplicamos uma multa de R$ 12 milhões contra o Consórcio. Também aplicamos cerca de seis multas por descumprimento de contrato. Há muito tempo o contrato não é respeitado. Eles têm que trocar 197 ônibus e já abrimos um processo sobre a idade da frota avançada. Estamos notificando para trocar os ônibus e vamos seguir multando, pois o contrato precisa ser cumprido. Em 2023, foram trocados 71 ônibus, contudo, mesmo com a troca, o serviço está defasado”, disse Figueiró.
A idade ultrapassada dos veículos é facilmente percebida pelos usuários, que enfrentam superlotação, veículos quebrados e até roda pegando fogo. A realidade foi confirmada na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara de Campo Grande que investigou o transporte público — inclusive, pela própria empresa.
Durante a investigação da Câmara realizada no ano passado, os diretores das empresas que comandam o transporte público na cidade confirmaram a idade dos ônibus sucateados. “Temos, acima dos 10 anos, 97 carros”, disse o diretor de operações do Consórcio Guaicurus, Paulo Vitor Brito de Oliveira.
Ao Jornal Midiamax, o diretor-executivo da Agereg confirma que a frota está velha. Ele também afirma que o contrato de R$ 3,4 bilhões com a empresa responsável pelo transporte coletivo em Campo Grande precisa ser cumprido.
“Temos a situação da idade média da frota que está vencida e também tem a idade individual dos ônibus, que não pode passar de 10 anos convencional e 15 anos o articulado”, explicou.
Enquanto os empresários do ônibus alegam dificuldades financeiras e cobram tarifa técnica de R$ 7,79, a Justiça homologou perícia técnica que apontou lucro de R$ 68 milhões nos sete primeiros anos de concessão do Consórcio Guaicurus. Mesmo com o montante milionário, não está descartada a possibilidade do usuário pagar ainda mais caro pelo serviço em 2026.
Recentemente, a Câmara de Campo Grande não aprovou a isenção do ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza). Em meio à greve dos motoristas, que estavam com salários atrasados, e ao não cumprimento do contrato, os vereadores da Capital não aprovaram a proposta analisada no último mês de dezembro.
“Alguém tem que pagar a conta. Eu entendo que vai sobrar para o contribuinte. A Câmara dos vereadores não aprovou uma isenção e alguém vai ter que pagar esse custo. O município vai pagar, ou o usuário do transporte vai ter que arcar.”
No entanto, há possibilidade de o Executivo entrar novamente com projeto para a isenção ao Consórcio Guaicurus, apesar de ninguém confirmar oficialmente a informação.
Diante da precariedade do serviço e má gestão, a concessionária passará por intervenção judicial. O interventor será nomeado pela Prefeitura, que tem até fevereiro para tomar a medida, conforme decisão da Justiça.
Fonte: Midiamax








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