‘Não estamos saindo da OTAN’: Rubio acalma Europa, mas endurece recado sobre gastos militares
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Secretário de Estado nega ruptura com a Aliança e diz que EUA querem uma Europa ‘menos dependente’
A Casa Branca tentou reduzir a tensão com aliados europeus após rumores sobre mudanças no posicionamento militar dos Estados Unidos no continente. Em declaração feita durante agenda diplomática em Bratislava, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA seguem comprometidos com a OTAN.
“Não estamos deixando a OTAN”, disse Rubio.
A fala veio após uma pergunta direta de uma jornalista eslovaca, que mencionou especulações sobre redução de tropas americanas na Europa e mudanças no equilíbrio interno da Aliança.
Rubio respondeu dizendo que os EUA mantêm “milhares e milhares” de militares em missões relacionadas à OTAN e classificou como “normal” qualquer movimentação de tropas entre países do bloco.
Até aqui, o objetivo foi claro: acalmar.
Mas, na mesma resposta, Rubio também deixou explícito um recado que vem se tornando central na política externa do governo Trump: a era em que a Europa podia depender automaticamente dos EUA está chegando ao fim.
“Não queremos que a Europa seja dependente”
Rubio afirmou que Washington não vê como ameaça o fortalecimento militar europeu. Pelo contrário, disse que considera positivo que os aliados tenham mais capacidade.
“Não vemos como negativo que outros países tenham mais influência ou mais capacidade”, afirmou.
Em seguida, reforçou a ideia de que os EUA querem uma Europa menos dependente da proteção americana.
“Não queremos que a Europa seja dependente. Não estamos pedindo que a Europa seja um vassalo dos Estados Unidos.”
A frase funciona como síntese da mudança: a OTAN segue existindo, mas o tipo de relação dentro dela está mudando.
O tratado continua. O “contrato psicológico” mudou.
Por décadas, a segurança europeia se apoiou em um entendimento informal: no limite, os Estados Unidos sustentariam a defesa do continente, mesmo quando os europeus gastavam menos em defesa.
A cobrança por aumento de investimentos militares não é nova. O que muda agora é o tom.
O recado deixa de ser um pedido diplomático e passa a soar como condição política para que a parceria continue funcionando com estabilidade.
Rubio tentou enquadrar isso como lógica. “É só bom senso”, resumiu, ao defender que uma Europa mais forte torna a Aliança mais forte.
O problema europeu é tempo
Para os governos europeus, o principal obstáculo não é apenas dinheiro. Construir capacidade militar real exige tempo: indústria de defesa, produção de munição, logística, treinamento e integração entre exércitos.
Além disso, a Europa ainda enfrenta divergências internas sobre prioridades de segurança. Países do leste e do norte veem a Rússia como ameaça imediata. Outros, no sul, dão mais peso à instabilidade no Mediterrâneo, migração e economia.
Esse cenário dificulta uma resposta rápida e uniforme – justamente o tipo de resposta que Washington passou a exigir.
O risco é a percepção de fragilidade
O maior risco, neste momento, não é a OTAN acabar formalmente. O risco é a percepção de unidade se enfraquecer – e, em defesa, percepção é parte da dissuasão.
Para Moscou, não seria necessário que os EUA saíssem do bloco. Bastaria que o compromisso parecesse politicamente menos confiável para abrir espaço a testes de limite.
Rubio tentou conter o pânico – mas o recado foi duro. A fala do secretário de Estado tem dois objetivos ao mesmo tempo:
1. Evitar pânico na Europa com a possibilidade de ruptura;
2. Pressionar por mais gastos e mais capacidade militar europeia.
O resumo do novo momento é simples: os EUA dizem que ficam, mas querem uma Europa que pague mais e dependa menos.
Fonte: Jovem Pan








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