Justiça marca interrogatório de réu mais de um ano após feminicídio de jornalista
- há 21 horas
- 4 min de leitura

O crime completa um ano no dia 12 de fevereiro
A segunda audiência de instrução e julgamento do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte está prevista para acontecer no próximo mês, ou seja, em março. A primeira audiência do caso ocorreu em abril do ano passado e, desde então, o processo estava em fase de recursos. O crime completa um ano amanhã, 12 de fevereiro.
Na data dos fatos, a jornalista foi esfaqueada pelo ex-noivo, o músico Caio Nascimento, na sua própria residência, no bairro São Francisco, em Campo Grande.
Caio, autor do feminicídio, está preso desde então. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), após desferir as facadas contra a jornalista, ele ligou para um primo dizendo que “fez coisa errada”.
No indiciamento, consta que o músico manteve Vanessa em cárcere privado por cinco dias e a obrigou a repassar R$ 1 mil para pagamento de entorpecentes.

Nesta quarta-feira (11), um dia antes do feminicídio completar um ano, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) se manifestou em nota informando o motivo da “lentidão” no processo. O caso está em andamento, na 1ª Vara do Tribunal do Júri.
“O processo passou por diversas etapas previstas em lei, como apresentação de defesa, realização de audiências e análise de pedidos feitos pelas partes. Ao longo desse período, foram interpostos vários recursos, o que acabou prolongando a tramitação do processo“, diz trecho da nota.
Agora, após o julgamento dos recursos e o cumprimento das decisões judiciais, foi designada, por fim, a segunda audiência, para o dia 9 de março, às 14h. Nesse dia, é esperado que o réu seja ouvido, uma vez que ainda não foi interrogado.
Relatório da Deam
O relatório final da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) aponta as manipulações que Vanessa viveu por parte de Caio. A jornalista não dirigia o próprio carro havia meses, já que Caio estaria “cuidando” de sua segurança. “Ele colocou sua vítima em uma bolha de amor e ela começou a se afastar de tudo e de todos. Começou a se abrir menos do seu relacionamento com os amigos e familiares. Vanessa marcou o seu casamento sem contar para ninguém, porque Caio a manipulou”, diz o relatório.
Vanessa chegou a ter de prestar contas de seu dia a dia para Caio, que a controlava como forma de “amor”. O músico tinha um esboço da rotina completa da jornalista e ainda a rastreava, para saber onde ela estava.
O músico era quem nos últimos meses respondia às mensagens de Vanessa para os amigos da jornalista. “Ninguém entra em um relacionamento abusivo por vontade própria, pois na maioria das vezes começa aparentando ser o ‘amor da vida’ e muitos questionamentos surgem no sentido de ‘fulana é tão inteligente e bonita aceita estar em um relacionamento assim?’ Justamente porque começa com cara de grande amor. Porém, CAIO NUNCA AMOU VANESSA! Ele fazia com ela uma enxurrada de manipulações”, fala o relatório.
Feminicídio
A jornalista Vanessa Ricarte era servidora pública no MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul). Ela foi esfaqueada três vezes na região do tórax e depois levada em estado gravíssimo à Santa Casa, onde foi a óbito.
No dia do crime, o feminicida disfarçou calma e disse que aceitava o fim do relacionamento. Mas o que veio a seguir foram facadas desferidas contra Vanessa.
Vanessa tinha voltado da delegacia, onde foi buscar a medida protetiva contra Caio, que não recebeu a intimação a tempo, quando se deparou com o músico na residência. A jornalista estava na companhia de um amigo e foi ao local para buscar seus pertences.
Na madrugada do dia da morte de Vanessa, ela foi até a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), acompanhada de um amigo, para registrar um boletim de ocorrência por agressão contra Caio e pedir medida protetiva.
No período da tarde, ela foi até sua casa, acompanhada do mesmo amigo, para pegar seus pertences. Chegando à residência, ela foi esfaqueada por Caio.
O caso ganhou repercussão após áudios gravados por Vanessa horas antes de morrer apontarem descaso e erros no atendimento que ela recebeu quando procurou ajuda na Casa da Mulher Brasileira.

Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
(Revisão: Nichole Munaro)
Fonte: Midiamax








Comentários