EUA incluem Brasil em lista de países acusados de intermediar "triangulação comercial" com a China
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Relatório da administração americana aponta uso de transbordo ilegal e alteração de origem de produtos para burlar tarifas de até 50% impostas a Pequim.
Um relatório divulgado pelo governo dos Estados Unidos classifica o Brasil e cerca de outras 40 nações como intermediários em um esquema de transbordo ilegal (transshipping) projetado para driblar as tarifas impostas às importações chinesas. Intitulado “O Grande Esquema do Transbordo”, o documento elaborado pelo assessor econômico da Casa Branca, Peter Navarro, categorizou os países analisados em três níveis de integração com o comércio de Pequim.
O Brasil foi enquadrado no Nível 2, denominado de “Integração Econômica Significativa”, ao lado de economias como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia. Segundo a análise norte-americana, esses países atuam como hubs logísticos e fabris onde mercadorias oriundas da China passam por processos superficiais de montagem ou alteração formal de origem declarada antes de seguir para o mercado estadunidense.
Mapeamento dos níveis de integração
O relatório norte-americano dividiu os parceiros comerciais internacionais nas seguintes categorias:
Nível 1 ("Líderes de Escala Diversificados"): Inclui parceiros de grande porte como México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia. Embora mantenham base industrial autônoma, importam volumes expressivos da China, o que cria riscos embutidos de triangulação comercial.
Nível 2 ("Integração Econômica Significativa"): Grupo no qual se insere o Brasil. O documento aponta que Brasília e Ancara funcionam como "plataformas regionais de produção e logística", integrando os chamados Corredores Latino-Americanos de redirecionamento, entrepostos aduaneiros e montagem de componentes.
Nível 3 ("Pequenos Alvos Oportunistas"): Abrange economias menores, como Camboja, Laos e Myanmar, exploradas pelo baixo custo de mão de obra e infraestrutura portuária ou de zonas francas.
Impactos econômicos e posição de Washington
Atualmente, grande parte das mercadorias chinesas exportadas diretamente aos EUA está sujeita a tarifas de 50%, além de sobretaxas setoriais. Esse desnível tributário estimula a prática da triangulação via terceiros países para reduzir custos de importação.
De acordo com projeções citadas no estudo, a prática do transbordo gera um prejuízo anual estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões à economia americana, refletido na redução da receita federal e em perdas no mercado de trabalho industrial.
Em manifestação compartilhada por Navarro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, enfatizou o rigor que a gestão pretende adotar contra a prática:
"Não é só uma violação técnica do comércio, é um esforço deliberado para evitar tarifas. O presidente Donald Trump garantirá que esses bens paguem o que devem."
A denúncia ocorre em meio a um ambiente de crescentes tensões comerciais, no qual os EUA têm buscado reestruturar alíquotas e aplicar tarifas adicionais sobre diversos parceiros globais, incluindo o Brasil.








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