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Desdobramento da Operação Rodas da Sorte: Loteria da Paraíba vai repassar documentos à polícia em investigação contra irmãos Razuk

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura
Razuk foi preso no dia 18 de agosto. (Foto: Pietra Dorneles, Midiamax)
Razuk foi preso no dia 18 de agosto. (Foto: Pietra Dorneles, Midiamax)

Órgão regulador confirma autorização de empresa ligada aos investigados, mas esclarece que licenças possuem caráter estritamente administrativo e se coloca à disposição das autoridades.


A Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) anunciou que está à disposição da Justiça e dos órgãos de segurança para fornecer documentos e esclarecimentos no âmbito da Operação Rodas da Sorte. A ação policial investiga supostos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias associados a rifas de veículos de luxo promovidas pelos irmãos Eduardo e Rafael Razuk.


O posicionamento da autarquia ocorreu após nota de esclarecimento enviada à imprensa. O órgão confirmou que a empresa FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. possui autorização emitida pela Lotep para explorar a modalidade de Loteria Passiva. A companhia é apontada pelas investigações como ligada às atividades do influenciador digital e empresário Eduardo Razuk, conhecido pelo canal Razuk Backstage.


O esquema investigado

De acordo com as apurações da Polícia Civil, a autorização oficial servia como uma espécie de fachada para conferir aparência de legalidade a sorteios que, segundo as autoridades, operavam de forma irregular. As investigações indicam que a rede de rifas ilegais movimentou cerca de R$ 100 milhões em um período de seis meses.


A operação resultou no cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão em cidades como Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa. Foram confiscados 22 veículos de luxo — estimados em R$ 20 milhões —, além do bloqueio de cinco imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados. Os sorteios, que teriam começado em 2019 com prêmios de alto valor (como carros de luxo, smartphones e transferências via Pix), teriam operado sem as devidas autorizações federais ou regulatórias competentes até que o grupo alterasse seu modus operandi em 2025 para utilizar a licença estadual.


Em nota, a Lotep frisou que suas emissões de atos autorizativos possuem caráter estritamente administrativo e regulatório, limitando-se estritamente ao que determinam a legislação e os regulamentos vigentes. O órgão também ressaltou que não possui detalhes aprofundados sobre o teor das provas, visto que o procedimento corre sob segredo de Justiça.


Situação jurídica e defesa

O influenciador Eduardo Razuk, que havia sido preso preventivamente no dia 18 de agosto, obteve a revogação de sua prisão pela Justiça. A soltura foi confirmada por seu advogado, Tiago Bunning, que argumentou que as medidas cautelares já cumpridas — como o sequestro de bens e valores, buscas e a suspensão das redes sociais de seu cliente — eram suficientes para resguardar a integridade das investigações.


A defesa sustenta que as atividades seguiam rigorosamente as normas regulamentadas pela Lotep para a modalidade de loteria passiva e que eventuais termos utilizados na divulgação pública, como "rifa", não alteram a natureza jurídica regular do sorteio. Os advogados afirmam que a legalidade dos contratos e das operações será devidamente comprovada ao longo do andamento processual.


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