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Com disparada de recuperações judiciais, banco de Vorcaro afundou gigantes do agro em MS

  • há 16 horas
  • 3 min de leitura
Imagem Ilustrativa, Gemini
Imagem Ilustrativa, Gemini

Falência de grandes empresas do setor que tiveram crédito fácil de instituição do dono do Master aumentou em 2025


O aumento das recuperações judiciais de empresas que atuam no agronegócio em Mato Grosso do Sul também revelou o envolvimento de instituições financeiras ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — e de um conglomerado de outras instituições financeiras.


Em 2025, 216 empresas do setor fecharam as portas no Estado. Mas, muito antes, os bancos de Vorcaro deram crédito a empresas, que acabaram falindo nos últimos anos. Inclusive, gigantes do agro enfrentam recuperação judicial por conta de dívidas com Indusval, Voiter e Pleno — que teve liquidação decretada pelo Banco Central.


O Indusval foi fundado em 1967 e renomeado para Voiter em 2020. Vorcaro comprou a instituição em 2024, modificando o nome para Pleno. Em um dos casos de recuperação judicial, o Pleno assumiu a cobrança de dívida de R$ 89 milhões do Voiter.


Recuperações judiciais ‘explodiram’ no Brasil

Dados do Serasa Experian, consultoria de crédito para pessoas físicas e jurídicas, apontam um crescimento de 56,4% nas recuperações judiciais no Brasil entre 2024 e 2025. Foram 1.990 solicitações de recuperação judicial, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.


Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, 216 pedidos, o quarto maior volume do país. De acordo com o líder de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, no ano passado, manteve-se a pressão sobre as finanças do setor.


“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais. Ainda assim, continuamos ressaltando que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro são as melhores estratégias, e a recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado”, declarou.

Voiter, de Vorcaro, é maior credor de gigante do agro que está em recuperação judicial

A família Sperafico é tradicional no agronegócio de Mato Grosso do Sul e do Paraná. Os irmãos ainda fizeram carreira política, com Dilceu Sperafico como deputado federal entre 1995 e 2018, pelo Paraná, e Dilso Sperafico de 1995 a 1999, por Mato Grosso do Sul.


O Grupo Sperafico nasceu no Paraná, estende-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, chegando ao auge em 2007, quando chegou a faturar R$ 1,2 bilhão com plantio de soja, milho e trigo, além da produção de derivados. 


Na época, eram 49 filiais, 34 armazéns para estocagem de grãos, com capacidade estática para 1 milhão de toneladas, cinco unidades de esmagamento de soja, que juntas processavam diariamente cerca de 7 mil toneladas de soja, empregando aproximadamente 1.600 funcionários de forma direta.


Porém, a alta do preço da soja, aliada à crise financeira global de 2008, levou o conglomerado a entrar em colapso, com falta de recursos para pagar fornecedores e empréstimos bancários. Entre as instituições das quais o Sperafico tomou dinheiro, está o Indusval.


Em 2022, o Grupo Sperafico pediu recuperação judicial após 65 anos de atividade. Assim, ao pedir recuperação judicial, o Grupo Sperafico declarou à Justiça de Mato Grosso do Sul uma dívida de R$ 1.076.208.843,35.


No ano passado, o valor devido subiu para R$ 1.960.361.361,92. O Voiter — que substituiu o Indusval — é o maior credor do conglomerado, com um acumulado de R$ 85.305.955,27.


Porém, a natureza da dívida do Voiter é quirografária, ou seja, tem origem em crédito dado sem garantia. Isso quer dizer que o banco que pertenceu a Vorcaro emprestou dinheiro ao conglomerado sem contrapartida alguma.


Nesse caso, em recuperações judiciais, esse tipo de dívida não entra na fila prioritária. Mas, por ser o maior credor, o Voiter pode atrasar as negociações. O banco vem participando das assembleias de credores, como a realizada em abril de 2025.


O Indusval também consta como credor da Brasamid Agroindustrial, de Bataguassu, que já teve a falência decretada por dificuldade de quitar as dívidas; e da Cooagri (Cooperativa Agropecuária e Industrial), de Dourados, que também teve as atividades encerradas.


A Brasamid tinha em 2017 um acumulado de R$ 6 milhões em dívidas, sendo R$ 249 mil apenas com o Indusval. A reportagem não encontrou dados recentes do saldo que o banco de Vorcaro tem a receber da Cooagri.


Fonte: Midiamax

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