Adriane oficializa exonerações de engenheiro e servidor presos em operação
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Exonerações constam em edição extra do Diogrande
As exonerações do servidor da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) Mehdi Talayeh e do chefe do tapa-buraco em Campo Grande, Edivaldo Aquino, presos na manhã desta terça-feira (12) na Operação Buraco Sem Fim, foram publicadas em edição extra do Diogrande nesta tarde.
A prefeita Adriane Lopes (PP) já havia anunciado que ambos seriam exonerados, e o fato foi concretizado com a publicação. Na edição, antes das exonerações, constam revogações de decreto em que Mehdi tinha sido designado para desempenhar a função de superintendente de Serviços Públicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, com efeito a partir da data de publicação.
Também foi revogado o decreto no qual a Prefeitura designou Edivaldo para desempenhar a função de gerente de Manutenção de Vias. Depois das revogações, constam as exonerações.
Em nota, a Prefeitura afirmou que a Sisep acompanha os trabalhos do Gecoc, de modo a colaborar com a lisura, transparência e esclarecimento dos fatos. “Os servidores investigados estão sendo exonerados das funções a partir da data de hoje, para que apresentem suas defesas”, garante.
Dos sete presos, três ainda eram servidores da Sisep. Além disso, a Prefeitura afirma que adotará outras medidas que se fizerem necessárias no âmbito administrativo, para que os serviços de manutenção não sejam paralisados ou comprometidos em função dos acontecimentos.
Servidor licenciado
Já Fernando de Souza Oliveira é servidor efetivo da Prefeitura de Campo Grande, mas está de licença desde janeiro de 2023. Conforme publicações no Diogrande, a licença era válida por três anos para tratar de assuntos particulares.
Em janeiro deste ano, o Executivo municipal prorrogou a licença por mais três anos, ou seja, até 2028. Vale ressaltar que a licença é sem ônus para a Prefeitura; então, o servidor não recebe desde 2023.
Por conta da estabilidade adquirida, para que Fernando perca o concurso, é necessário que a Prefeitura abra um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) e aplique a punição máxima, segundo o JusBrasil. A investigação acontece paralelamente a um possível processo criminal.
Confira a lista de presos:
Mehdi Talayeh, servidor da Sisep;
Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil;
Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Obras;
Fernando de Souza Oliveira, servidor licenciado da Sisep;
Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, produtor rural e dono da Construtora Rial;
Edivaldo Aquino Pereira, chefe do serviço de tapa-buraco da Sisep;
Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidor da Sisep.
Exceto Antonio Bittencourt e Antonio Roberto Bittencourt, todos os outros são réus na Operação Cascalhos de Areia, que apura fraudes em contratos com empreiteiras por manutenção de vias não pavimentadas durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.
Operação Buraco sem Fim
Em 12 de maio de 2026, o MPMS deflagrou a Operação Buraco sem Fim, cumprindo sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão em Campo Grande, contra um esquema de fraude no serviço de tapa-buraco.
A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos.
Os promotores descobriram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais.
Levantamento indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada amealhou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$ 429 mil. Só no endereço do ex-secretário municipal de Obras Rudi Fiorese, havia R$ 186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$ 233 mil, também em notas de real.
Gestão Marquinhos
Vereador e ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos saiu em defesa de Rudi Fiorese, seu ex-secretário municipal de Obras. Ele disse confiar na conduta do antigo subordinado, que teria sido escolhido pelo currículo e histórico profissional.
“Tenho certeza de que ele é uma pessoa correta, honesta e decente. Durante todo o período em que trabalhou na administração, nunca me trouxe qualquer contratempo”, declarou o vereador.
Marquinhos esclareceu que os contratos na gestão dele (2017-2022) foram fiscalizados pelos órgãos de controle, e questionamentos devem ser apurados com responsabilidade, garantindo direito de defesa.
O vereador ainda afirmou que, como prefeito, buscou reduzir o tapa-buraco e priorizou obras de recapeamento. “Sempre defendemos uma gestão técnica, responsável e transparente. Confiamos nas instituições, mas também acreditamos que toda investigação deve ocorrer com equilíbrio, responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, concluiu.
Secretário da Agesul
Fiorese assumiu como titular da Sisep em 2017, deixou o cargo em 2023 e foi nomeado diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) em fevereiro de 2026. Nesta terça, o Governo do Estado emitiu nota informando que Rudi foi exonerado após a notícia da prisão dele durante a operação.
Fonte: Midiamax








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