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Veterinária que ateou fogo no marido será solta com tornozeleira eletrônica

  • há 5 horas
  • 4 min de leitura
Médica-veterinária durante interrogatório na Polícia Civil. (Reprodução)
Médica-veterinária durante interrogatório na Polícia Civil. (Reprodução)

A decisão da soltura veio nesta sexta-feira (3), após a vítima gravar um vídeo falando da inocência da esposa


A médica-veterinária, de 42 anos, presa desde o dia 22 de junho após incendiar o marido, servidor público de 41 anos, será solta com uso de tornozeleira eletrônica, em Campo Grande. A decisão da soltura veio nesta sexta-feira (3), após a vítima gravar um vídeo falando da Inocência da esposa.


Na quinta-feira (2), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ofereceu a denúncia contra a mulher por tentativa de homicídio doloso qualificado por motivo torpe e meio cruel.


A soltura foi concedida nesta sexta-feira, após a defesa da veterinária anexar ao processo um vídeo do servidor público relatando estar bem, ainda afirmando que o ocorrido foi um incidente e acreditando na inocência da esposa.


A decisão assinada pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Aluizio Pereira dos Santos, menciona que ela deverá ficar por 90 dias com tornozeleira eletrônica; além disso, deverá comparecer a juízo mensalmente e também apresentar comprovante de trabalho e endereço a cada 30 dias.


Denúncia

No pedido de denúncia, o MPMS relata que, no dia 22 de junho, ela tentou matar o esposo, o que não concluiu por circunstâncias alheias à sua vontade. Assim, a Promotoria pontuou que o crime de tentativa de homicídio foi cometido por motivo torpe e com emprego de fogo.


Consta que, na data dos fatos, após uma discussão motivada por desentendimentos conjugais, a mulher, com a intenção de impedi-lo de sair de casa, colocou substância inflamável sobre os pertences dele e, em seguida, sobre o próprio corpo do marido. Na sequência, o homem foi até a garagem da casa, ocasião em que ela, portando um isqueiro, provocou a combustão.


O servidor, então, jogou-se na gramada para tentar conter as chamas. A filha do casal, de 22 anos, presenciou a cena e, com uma mangueira, apagou o fogo do corpo de seu pai, que foi levado posteriormente ao socorro médico.


Para o MPMS, o crime foi cometido por motivo torpe, dado que a denunciada agiu impelida por ciúmes, mais precisamente por acreditar que o marido estaria tendo relacionamento extraconjugal. Com isso, decidiu ceifar-lhe a vida. Assim, foi caracterizada a qualificadora.


É apontado que a mulher tentou matar o marido de forma cruel, com emprego de fogo, dado que, agindo com maldade, na intenção de causar sofrimento desnecessário, a médica-veterinária jogou substância inflamável no corpo dele e ateou fogo na tentativa de matá-lo.


Caso a denúncia seja aceita pelo Judiciário, a médica-veterinária, que está presa, se tornará ré por tentativa de homicídio qualificado, cometido por motivo torpe e com emprego de fogo. Ainda foi solicitada na denúncia a reparação de danos morais causados pela infração, em valor que não seja inferior a 20 salários mínimos.


Vídeo

Em vídeo gravado nesta terça-feira (30), o servidor público federal, de 41 anos, que teve 30% do corpo queimado após ser incendiado pela esposa, afirma que foi tudo muito rápido e acredita na inocência da mulher.


Ele gravou o vídeo no hospital para relatar a sua versão sobre o caso, uma vez que não teria sido ouvido pelas autoridades policiais. Inclusive, o servidor pede para ser ouvido a fim de esclarecer os fatos, afirmando acreditar que a esposa não tinha a intenção de queimá-lo.


Ele iniciou o relato falando que estaria gravando o vídeo de livre e espontânea vontade, sem qualquer tipo de pressão. Mencionou que ficou esperando a Justiça colher o seu depoimento, mas, como não havia recebido ninguém, resolveu gravar. “Resolvi encaminhar essa mensagem para que, quem sabe, ela chegue às autoridades competentes que possam ajudar no caso”, disse a vítima.


Ao relembrar a segunda-feira, dia 22 de junho, tratou o ocorrido como incidente, mas afirmou que foi muito rápido e não se recorda do que aconteceu direito. “No dia em que aconteceu o incidente com o fogo, a gente tinha discutido, teve uma discussão e ela tacou álcool na minha mochila e em mim. Depois, ela saiu para fumar, eu fui lá conversar com ela, nesse momento, eu não sei o que aconteceu direito, foi tão rápido”, detalhou.


Declarou que, devido à claridade da luz do dia, teve a visibilidade comprometida para enxergar o fogo. “Estava de dia e a gente não enxergava direito o fogo. Eu não lembro se ela foi tacar a bituca e pegou perto do meu pé. Eu sei que, na hora que pegou o fogo, eu saí rolando para apagar e ela veio tentar apagar também”, disse.


Durante a gravação, ele pede para ser ouvido e afirma que a esposa, com quem mantém um relacionamento de dois anos e tem dois filhos, de 9 e 22 anos, sempre foi uma companheira e acredita que ela não tinha a intenção.


“Gostaria de deixar a minha versão, se tiver uma oportunidade de ser ouvido, e reforçar que ela sempre foi uma companheira e acho que ela não teve a intenção; dentro dos problemas psiquiátricos, envolvia os momentos em que ela tinha uma mudança repentina de humor. Às vezes, acontecia dela ficar muito nervosa com uma coisa e ansiosa”, afirmou.

A vítima continua hospitalizada. (Reprodução)
A vítima continua hospitalizada. (Reprodução)

Fonte: Midiamax




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