Tragédia no Himalaia: Avalanche no Nepal e no Tibete ultrapassa a marca de mil mortos
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Com quase 4.500 desaparecidos, equipes de resgate intensificam o uso de maquinário pesado e explosivos para acessar túneis subterrâneos onde operários podem estar soterrados.
Passados seis dias do gigantesco deslizamento de terra provocado pelo colapso de uma geleira no Himalaia, o balanço oficial da catástrofe que atingiu o Nepal e a região autônoma do Tibete superou 1.000 mortes nesta terça-feira (1º). Enquanto socorristas enfrentam lama e escombros, a busca por sobreviventes tornou-se uma corrida contra o tempo.
Dados divulgados pelas autoridades locais apontam que o número de óbitos confirmados chegou a 1.003 — sendo 987 no lado nepalês e 16 na China. Paralelamente, o total de desaparecidos atinge 4.462 pessoas (3.916 no Nepal e 546 no Tibete), incluindo centenas de turistas, peregrinos e trabalhadores estrangeiros procedentes de mais de 30 países.
Operação de resgate em túneis e reforço internacional
Embora as chances de encontrar sobreviventes diminuam a cada dia, as equipes de resgate mantêm as esperanças voltadas para uma série de túneis subterrâneos no lado nepalês. Nesses locais, estima-se que quase 100 operários que trabalhavam em projetos de represas e usinas hidrelétricas possam ter buscado abrigo.
Com o auxílio de explosivos, escavadeiras e equipamentos avançados de perfuração, os socorristas têm conseguido abrir passagem por entre os escombros, embora os acessos até o momento tenham resultado principalmente na recuperação de corpos. A força-tarefa local foi reforçada com a chegada de especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul.
Do lado chinês, mais de 2.000 profissionais mobilizados atuam na remoção de detritos e na reabertura da rodovia que conecta o posto fronteiriço em Gyirong. Em sinal de luto, moradores e socorristas locais realizaram um minuto de silêncio na região. Além disso, autoridades do estado indiano de Uttar Pradesh relataram a recuperação de 17 corpos em um rio a dezenas de quilômetros do epicentro do desastre.
Superlotação e comoção familiar
A magnitude da tragédia gerou uma crise humanitária local. Com os necrotérios completamente lotados, o governo do Nepal autorizou no último domingo (30) o sepultamento imediato das primeiras vítimas por motivos sanitários, dispensando a identificação formal prévia.
Na capital nepalesa, Katmandu, o muro de um hospital universitário transformou-se em um painel improvisado de busca, onde famílias afixam fotografias de parentes desaparecidos na tentativa de obter qualquer notícia. A comoção é amplificada pelo fato de que centenas de funcionários de barragens e usinas continuam sem paradeiro conhecido.
Enquanto o socorro às vítimas e o apoio às famílias prosseguem, o cenário também é marcado por tensões políticas: grupos separatistas tibetanos acusam Pequim de minimizar intencionalmente os impactos do desastre em seu território, acusação que o governo chinês classificou prontamente como uma campanha de difamação.
Com informações da AFP.








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