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ROTA BIOCEÂNICA CONSOLIDA IMPACTO ECONÔMICO E JÁ RESPONDE POR QUASE 30% DO COMÉRCIO EXTERIOR DE CAMPO GRANDE

há 19 horas
4 min de leitura
Imagem feita com drone na região central de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)
Imagem feita com drone na região central de Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

Aproximação comercial com Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai movimenta US$ 268,3 milhões entre janeiro e agosto de 2026 e impulsiona recordes históricos na balança comercial da Capital.


A Rota Bioceânica (Rota de Integração Latino-Americana – RILA) deixou de ser apenas um projeto de infraestrutura e logística para se transformar em uma realidade econômica concreta para Mato Grosso do Sul. Segundo dados divulgados no Boletim Econômico de Campo Grande da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana, Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), com base em dados do ComexStat (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), as trocas comerciais com Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai somaram US$ 268,304 milhões entre janeiro e agosto de 2026.


O montante corresponde a 29,09% de toda a corrente de comércio exterior de Campo Grande no período, que alcançou o total de US$ 922,285 milhões.


Recorde Histórico nas Exportações Municipais

A expansão das relações com os países vizinhos ocorre em um contexto de crescimento expressivo da inserção internacional da Capital. No acumulado dos primeiros oito meses do ano:


Exportações totais: Alcançaram US$ 631,272 milhões, registrando uma alta de 35,66% em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 465,343 milhões).


Importações totais: Somaram US$ 291,013 milhões, um salto de 96,95% na comparação anual.


Superávit comercial: Atingiu US$ 340,259 milhões.


Tanto o volume total exportado quanto o saldo comercial positivo representam recordes históricos para o município no período acompanhado pela série do governo federal, iniciada em 1997.


Dinâmica Comercial: O que Campo Grande Compra e Vende na Rota

O perfil do comércio com o bloco sul-americano demonstra complementaridade entre a demanda energética da cidade e o fornecimento de alimentos para a região.


Importações (Principais Entradas)

As compras da rota são predominantemente compostas por produtos energéticos e insumos agrícolas:


  • Bolívia: Lidera o fluxo de importações da rota, fornecendo US$ 172,781 milhões em combustíveis e óleos minerais, além de US$ 10,406 milhões em adubos e fertilizantes.

  • Argentina: Registrou o envio de US$ 9,492 milhões em combustíveis minerais, US$ 1,642 milhão em plásticos e suas obras e US$ 1,354 milhão em frutas.


Exportações (Principais Destinos e Produtos)

A indústria de alimentos é o motor das vendas externas da Capital para o bloco:


  • Chile: É o principal comprador da Capital entre os integrantes da RILA, absorvendo US$ 46,971 milhões em carnes e miudezas comestíveis.

  • Paraguai: Importou US$ 3,917 milhões em preparações à base de cereais, farinhas e amidos, e US$ 2,557 milhões em resíduos das indústrias alimentares e rações animais.

  • Bolívia: Comprou US$ 2,472 milhões em produtos de ferro, ferro fundido e aço.


A carne bovina segue como o destaque isolado da pauta exportadora geral da cidade. Apenas no mês de agosto de 2026, o setor movimentou US$ 37,488 milhões em vendas externas.


Resultado Mensal e Cenário Geral em Agosto de 2026

No mês de agosto isoladamente, o intercâmbio com os quatro países da rota movimentou US$ 40,666 milhões, representando 34,51% do comércio internacional da Capital no mês.


Devido à forte concentração de importações de combustível da Bolívia (US$ 31,576 milhões no mês, um crescimento de 931,95% em relação a agosto de 2025), a balança comercial com o bloco apresentou um déficit temporário de US$ 24,238 milhões no mês. No entanto, o saldo geral de Campo Grande com todos os mercados globais permaneceu positivo em US$ 27,625 milhões em agosto.


Enquanto a China permanece como o principal destino global das exportações de Campo Grande no acumulado do ano, a Bolívia assumiu papel de destaque como a principal origem das importações municipais.


Indicadores Internos e Mercado de Trabalho

O bom momento do comércio exterior reflete no desempenho da economia local:


  • Emprego Formal - Campo Grande encerrou agosto com 236.926 trabalhadores de carteira assinada, registrando um saldo positivo de 3.772 novas vagas criadas no ano. O setor de Serviços liderou a criação de postos (2.617), seguido pela Construção Civil (1.357).

  • Atividade Empresarial - A base de empresas ativas atingiu 148.531 estabelecimentos em setembro (dados do DataSebrae/Receita Federal), distribuídos entre Serviços (87.154), Comércio (36.779), Construção Civil (12.537) e Indústria (10.795).


Perspectivas e Avaliação Institucional

Para a administração municipal, os números validam a posição geográfica e logística estratégica de Campo Grande no cone sul.


"A Rota Bioceânica amplia as possibilidades de conexão de Campo Grande com novos mercados e fortalece nossa posição estratégica no cenário sul-americano. Esse movimento gera oportunidades para o setor produtivo, estimula novos negócios e mostra que estamos preparados para aproveitar as transformações que essa integração traz para a nossa economia", destacou a prefeita Adriane Lopes.

O Secretário da Semades, Ademar Silva Junior, ressaltou a importância da diversificação dos parceiros comerciais:

"A diversificação dos mercados é importante para dar mais segurança ao setor produtivo e ampliar as oportunidades de negócios. (...) Estamos trabalhando para que Campo Grande tenha um ambiente cada vez mais favorável para quem produz, investe e empreende. A integração regional é uma oportunidade que precisa ser acompanhada de perto, com planejamento e desburocratização", pontuou.

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