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Repasse de R$ 4 milhões para Santa Casa será mantido pela Prefeitura e pelo Governo de MS

há 4 horas
3 min de leitura
Maior hospital de MS vive colapso. (Arquivo, Jornal Midiamax)
Maior hospital de MS vive colapso. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Poder público garantiu repasse para compra de insumos mesmo após a operação que mirou hospital


O repasse emergencial de R$ 4 milhões para a Santa Casa deve ser mantido pela Prefeitura de Campo Grande e pelo Governo de Mato Grosso do Sul. O montante foi anunciado antes da deflagração da Operação Antidotum, na última sexta-feira (11), que prendeu seis funcionários do hospital, incluindo a então presidente Alir Terra Lima. 


O valor para a Santa Casa foi previsto em um plano emergencial e será destinado à compra de insumos para continuidade dos atendimentos.


A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande e a SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) confirmaram ao Midiamax que os R$ 4 milhões serão transferidos para o hospital mesmo após a operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.  


Em nota, a SES-MS informou que mantém a intenção de repasse de R$ 3 milhões para a Santa Casa, conforme previsto no plano emergencial. “O repasse ainda aguarda a evolução e formalização do instrumento contratual entre as partes, necessário para sua efetivação“, informa.


A Sesau de Campo Grande se comprometeu a destinar R$ 1 milhão para o hospital. “A Sesau informa que está mantido o repasse pontual para compra dos insumos, e o aditivo contratual está em fase final de elaboração e o pagamento segue dentro do prazo anteriormente informado. Conforme previsto no aditivo, caberá à Santa Casa prestar contas da utilização dos recursos, com comprovação da aplicação dos valores na finalidade pactuada e garantia da rastreabilidade das despesas“, informa a nota. 

Em 8 de setembro, o secretário da Sesau, Marcelo Vilela, estimou que o repasse seria feito em até 15 dias, ou seja, até 22 de setembro. 


A medida faz parte de um plano emergencial, após um grupo de médicos da Santa Casa de Campo Grande se desligar da instituição devido aos salários atrasados há quatro meses. A demissão em massa fez com que toda a ala de cirurgia cardíaca pediátrica do hospital, que era referência na especialidade em Mato Grosso do Sul, fosse fechada.


Investigações

A investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), na Operação Antidotum, revelou o mecanismo utilizado pela cúpula e por empresas contratadas pela Santa Casa de Campo Grande para escoar recursos desviados da instituição. 


Para evitar alertas em órgãos de fiscalização financeira e dificultar o rastreamento do dinheiro pela polícia e pelo Ministério Público, o grupo pulverizou a retirada de R$ 5,5 milhões (R$ 5.557.010,98) em dinheiro vivo, por meio de saques fracionados e transferências diretas a operadores do esquema.


O relatório de investigação destaca a movimentação suspeita: “Em vez de uma operação única, compatível com uma obrigação empresarial comprovada, os investigados dividiram os valores em sucessivas retiradas, dificultando o rastreamento do destino do dinheiro”. 


De acordo com as investigações do MPMS, os valores saíam das contas da Santa Casa e de sua operadora de saúde sob a justificativa de pagamento por serviços prestados por empresas controladas pelo empresário Maurício Aparecido Benites, como a Redvalue Tecnologia e a Ex Be Finance. 


Assim que ingressavam nas contas das pessoas jurídicas, as verbas eram rapidamente sacadas no balcão de agências bancárias por funcionários, diretores e até servidores públicos.


Um deles, funcionário de Maurício, recebia salário de R$ 2,4 mil, mas sacou total de R$ 675.999,98 entre julho de 2024 e maio de 2025, o que chamou atenção dos investigadores.


Fonte: Midiamax


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