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Operação Bomba Oculta: Receita Federal declara 28 postos inaptos em Mato Grosso do Sul por esquema de fraude e lavagem de dinheiro

  • há 11 horas
  • 2 min de leitura
Receita Federal fecha 28 postos em MS por suspeita de fraude - Foto: Divulgação/Receita Federal
Receita Federal fecha 28 postos em MS por suspeita de fraude - Foto: Divulgação/Receita Federal

Ação conjunta entre órgãos federais e estaduais mira rede de sonegação fiscal no setor de combustíveis com ligações ao crime organizado; mais de 1,2 mil CNPJs irregulares foram bloqueados no país.


Em um novo desdobramento da Operação Carbono Oculto, a Receita Federal, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrou a Operação Bomba Oculta. A força-tarefa tem como alvo um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e irregularidades no setor de combustíveis que abrange vários estados brasileiros.


Somente em Mato Grosso do Sul, 28 postos de combustíveis foram declarados inaptos pela Receita Federal e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que impede formalmente o funcionamento dos estabelecimentos. Em todo o território nacional, a operação atingiu 1.283 inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e 228 inscrições estaduais, tornando-as inaptas. Apenas no estado de São Paulo houve a lacração física de cinco postos.


De acordo com o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a medida busca asfixiar financeiramente organizações criminosas ao interromper a porta de entrada de recursos ilícitos que circulam no sistema financeiro. Fases anteriores da investigação já haviam apontado vínculos entre o esquema de fraudes e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).


O polo de fraudes em Iguatemi (MS)

As apurações apontam que o esquema utilizava uma estrutura localizada no Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Um complexo industrial que abrigava uma antiga destilaria de etanol, situada no km 18 da Estrada da Balsinha (atual MS-290), em Iguatemi, funcionava como uma verdadeira "incubadora" de empresas de fachada ligadas a fraudes fiscais.


No local, que já havia sido interditado pela ANP, funcionavam mais de 20 empresas — com mais da metade envolvida nas investigações. Entre os alvos estão:

  • Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda.: Detentora da maior dívida com o Fisco federal na modalidade em Mato Grosso do Sul, estimada em R$ 2,93 bilhões.

  • Safra Distribuidora de Petróleo e Império Comércio de Petróleo S.A.: Apuradas por fraudes bilionárias, inclusive no ressarcimento de contribuições como PIS e Cofins.


A gestão do esquema de lavagem de dinheiro e sonegação era atribuída a Mohamad Murad (conhecido como "Primo") e Roberto Augusto Leme da Silva ("Beto Louco").


Alcance nacional da operação

Além de São Paulo (considerado o epicentro do grupo criminoso) e de Mato Grosso do Sul, a operação contou com o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisões em Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.


A ação integrada também envolveu a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o MPSP.

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