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Motoristas esperam cumprimento de acordos com novos donos do Consórcio Guaicurus

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura
Prefeitura decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)
Prefeitura decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Com transporte de Campo Grande no fundo do poço, sindicato diz que expectativa é de melhoria


Um dia após o anúncio da compra do Consórcio Guaicurus pelo grupo goiano HP Mobilidade, motoristas do transporte público de Campo Grande ainda aguardam uma comunicação oficial aos trabalhadores. A expectativa é de que os novos donos cumpram acordos firmados com a categoria, conforme o STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande).


Ao Jornal Midiamax, o presidente do sindicato, Demétrio Freitas, afirma esperar que os novos patrões cumpram os compromissos firmados. “Pagar em dia todos os vencimentos, dar uma condição de trabalho melhor para o trabalhador, com carros novos. Enfim, tudo o que foi acertado em convenção vamos cobrar, como a estabilidade.”


O presidente do sindicato reconhece que a troca de donos pode preocupar os trabalhadores. “Muitos empresários vêm com pensamentos diferentes, então podem querer fazer mudanças, o que é natural. […] Existe uma incerteza muito grande de todo mundo, porque não conhecemos a outra parte; então, a gente vai acompanhar de perto.” Ele diz que aguarda um comunicado oficial da empresa.


No entanto, Demétrio Freitas revela que a expectativa principal é de melhoria no transporte público após 14 anos de sucateamento dos ônibus em Campo Grande sob o comando do Consórcio Guaicurus. “A gente espera que venham melhorias para o trabalhador e o usuário, para todo mundo. Até porque, segundo eu acompanhei na imprensa, o dono da nova empresa já trabalha no ramo em outras regiões do país, já conhece bem o transporte no Brasil”, conclui.


Venda da operação

Grupo que deteve a concessão milionária na Capital vendeu as empresas ao grupo HP Mobilidade, que tem sede em Goiás, segundo confirmou a prefeita Adriane Lopes (PP), na tarde desta terça-feira (21).


A Prefeitura ainda precisa validar a transição, mas a prefeita Adriane Lopes (PP) adiantou que vai avaliar a proposta da HP Mobilidade e vê com bons olhos a mudança. O Jornal Midiamax antecipou que os rumores de venda já rondavam os corredores do Consórcio Guaicurus desde abril.


Em nota, o Consórcio Guaicurus confirmou que o contrato de compra e venda de quotas e outras avenças para a aquisição das quatro empresas que operam o SIT (Sistema Integrado de Transporte) de Campo Grande (Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco) foi fechado no dia 18 de julho.


Reclamações dos trabalhadores

O ápice da tensão entre o Consórcio Guaicurus e os trabalhadores foi em dezembro de 2025, quando uma greve paralisou o transporte público da Capital por quatro dias e causou prejuízo a quem depende dos ônibus.


Sem pagamento de salários naquele mês e com atrasos frequentes nos vencimentos, os motoristas afirmaram que não foram procurados para um novo diálogo durante o movimento paredista e mantiveram a maior paralisação em 31 anos até que o governo de MS e a Prefeitura garantissem o fim da greve.


As reclamações de motoristas e outros trabalhadores também incluem jornadas extenuantes e falta de requisitos básicos nos veículos por conta do sucateamento da frota.


Sucateamento da frota

A principal consequência sentida pelos campo-grandenses nos anos de descumprimento é o estado crítico dos veículos. Reportagens do Jornal Midiamax mostram que o Consórcio ignorava sistematicamente a renovação obrigatória dos ônibus.


Conforme tabela de 26 de abril deste ano, o Consórcio Guaicurus mantém circulando nas ruas de Campo Grande 12 ônibus fabricados em 2010 — antes mesmo do início das operações da concessionária. Ou seja, veículos com 16 anos de ‘idade’ seguem ativos e causando transtornos diários aos passageiros.


O contrato prevê que a idade média da frota seja de cinco anos, com possibilidade de haver ônibus com, no máximo, dez anos de fabricação em circulação — desde que a idade média seja de 5. Atualmente, a idade média é de 10 anos, conforme a Agetran.


Multiplicam-se os registros em vídeo de ônibus do Consórcio quebrando no meio do trajeto, bloqueando cruzamentos importantes da Capital e obrigando os passageiros a finalizarem suas rotas a pé — ou esperarem a troca do coletivo, atrasando a ida ao trabalho.


Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Campo Grande mandou o Consórcio Guaicurus trocar pelo menos 197 ônibus das ruas da Capital. Mesmo recebendo isenções fiscais e subsídios milionários, e sendo multada por descumprimento de contrato, há mais de um ano a empresa não oferece novos veículos aos seus usuários.


Fonte: Midiamax

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