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Justiça de MS recebe mais de 500 ações de servidores contra operadora do Banco Master

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Sede do Banco Master, em São Paulo. (Rovena Rosa, Agência Brasil)
Sede do Banco Master, em São Paulo. (Rovena Rosa, Agência Brasil)

Maioria são aposentados que denunciam descontos indevidos na folha de pagamento


Mais de 500 processos judiciais em Mato Grosso do Sul acusam a empresa PKL One Participações S.A. de prática abusiva na concessão de crédito consignado a servidores estaduais. Movidas em sua maioria por aposentados e pensionistas, as ações contestam o modelo do produto “CredCesta” — ligado ao Banco Master —, que transforma empréstimos em dívidas automáticas e por tempo indeterminado na folha de pagamento.


A PKL One possui filial em Campo Grande e desde março de 2023 está autorizada pela SAD (Secretaria de Estado de Administração) a operar consignados na folha de pagamento de servidores do Estado.


As ações apontam diversas possíveis irregularidades que vão de juros abusivos a descontos sem autorização, como no caso de um servidor público que afirmou à Justiça ter tido mais de R$ 8 mil descontados de seu salário sem nunca ter tido qualquer tipo de contrato com a PKL. Audiência sobre o caso está marcada para julho.


Em outro caso, um policial militar aposentado afirma ter contratado empréstimo consignado no valor de R$ 6,2 mil. Então, começaram os descontos em folha e o servidor acreditava ser referente às parcelas do empréstimo.


No entanto, as parcelas começaram a ficar mais caras e o policial descobriu que, na verdade, o que estava sendo descontado era como se ele tivesse contratado um cartão de crédito consignado.


Então, até maio de 2026, ele alega que foram mais de R$ 19 mil pagos à PKL.


Em vários casos, o processo tramita como superendividamento e há relatos de servidores com mais de 40% do salário comprometido com consignado envolvendo a PKL.


É exatamente assim que funciona a prática. O servidor acredita estar contratando um empréstimo consignado tradicional, mas a empresa emite um cartão de crédito e desconta apenas o ‘valor mínimo da fatura’ na folha. O restante vai para o rotativo do cartão, gerando juros sobre juros e uma dívida ‘interminável’.


Operação Compliance Zero da PF

A PKL One é citada nos desdobramentos recentes da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que resultou na prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro.


A empresa foi identificada pela PF como origem de repasses suspeitos com finalidade de dissimular vantagens indevidas no caso Master.


A PKL é dirigida por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master e dirigente do Banco Pleno, ambos liquidados pelo Banco Central após o escândalo.


Uma das frentes da PF apura se repasses feitos pela PKL à BN Finacneira tinha lastro em serviços efetivamente prestados ou serviu para repasses indevidos.


Escritório de advogados também é alvo

A coluna de Lauro Jardim, em O Globo, afirmou que o escritório Gabino Kruschewsky Advogados foi o quarto que mais recebeu dinheiro do Master, sendo R$ 54 milhões entre 2022 e 2025.


O escritório é o mesmo que representa a PKL nas ações movidas por servidores de Mato Grosso do Sul.


Conforme matéria da Folha de S. Paulo, esses escritórios que receberam, no total, mais de R$ 543 milhões de Vorcaro estão sob investigação da PF.


A reportagem procurou o escritório para se posicionar sobre as ações contra servidores em MS e sobre as investigações da Polícia Federal, mas ainda não obteve resposta. À coluna de O Globo, o escritório enviou nota afirmando que atuou em mais de 45 mil processos em favor do Master.


A PKL também foi procurada para se manifestar e não retornou aos contatos da reportagem.


O Jornal Midiamax também acionou o governo do Estado sobre o convênio com a PKL e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações. O material será atualizado assim que houver posicionamento.



Fonte: Midiamax

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