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Justiça de MS derruba pedido do Consórcio Guaicurus e mantém bloqueio de aumento da tarifa em Campo Grande

  • há 13 horas
  • 2 min de leitura
Consórcio Guaicurus tem 460 ônibus rodando em Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
Consórcio Guaicurus tem 460 ônibus rodando em Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Tribunal de Justiça atendeu a recurso da Prefeitura, cancelou multa diária imposta ao município e evitou reajuste que elevaria a passagem técnica para R$ 7,79.


A Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou o pedido apresentado pelos proprietários do Consórcio Guaicurus para elevar a tarifa técnica do transporte coletivo urbano de Campo Grande para R$ 7,79. Com a decisão, o valor de referência atual é mantido, enquanto a tarifa pública paga pelo usuário permanece em R$ 4,95, com a diferença sendo complementada por subsídios da Prefeitura.


O colegiado também anulou a multa diária de R$ 80 mil que havia sido aplicada anteriormente à administração municipal por não adotar o valor pleiteado pelas empresas, além de isentar o município do pagamento de honorários advocatícios fixados em R$ 20 mil.


Perda de objeto e intervenção municipal

De acordo com a Procuradoria-Geral do Município (PGM), o processo sofreu perda de objeto em decorrência do decreto de intervenção no transporte público assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP). A medida afastou temporariamente a gestão empresarial do serviço por um período inicial de seis meses, passando a administração para um grupo de interventores.


O relator do recurso, juiz Vitor Luis de Oliveira Guibo, pontuou que a Justiça em nenhum momento determinou a fixação obrigatória do valor exato de R$ 7,79, contrariando a tese apresentada inicialmente pela defesa da Prefeitura, que conseguiu reverter a ordem no Tribunal.


Alerta de enriquecimento ilícito pelo Ministério Público

Durante o trâmite processual, o Ministério Público, representado pelo procurador de Justiça Aroldo José de Lima, emitiu parecer desfavorável ao reajuste pretendido pela concessionária. Segundo o órgão, o valor exigido poderia resultar em "enriquecimento sem causa" para os empresários.


O parecer destacou que, apenas no acumulado de 2026, o Consórcio Guaicurus obteve mais de R$ 38,5 milhões em repasses de verba pública da Prefeitura, montante que inclui R$ 28 milhões em subvenções econômicas e R$ 10,5 milhões em isenções de ISSQN. Perícias técnicas anexadas a investigações apontaram inconsistências nas premissas econômicas defendidas pela empresa, estimando que o reajuste geraria um impacto adicional de R$ 45 milhões anuais aos cofres públicos.


Contraponto da concessionária

Em nota oficial, o Consórcio Guaicurus criticou o desfecho judicial e argumentou que a ação visa cumprir uma decisão de 2023 voltada a garantir a sustentabilidade financeira do Sistema Interligado de Transporte. A empresa sustentou que o modelo de tarifa técnica previsto no Termo Aditivo nº 4 nunca foi integralmente cumprido pela administração municipal e alertou que o uso da intervenção como argumento para extinguir a cobrança judicial acelera a crise do sistema.


Auditoria e investigações em andamento

A intervenção decretada em junho é liderada por uma equipe chefiada pelo advogado Alexandro de Oliveira. O grupo conduz auditorias profundas nas contas da concessionária e investiga diversas irregularidades, como suspeitas de fraude fiscal na venda da garagem principal, desvios financeiros que somariam dezenas de milhões de reais e omissões contábeis recorrentes desde 2012. Processos populares e judiciais também apontam supostas manobras para transferências de recursos a empresas associadas à família Constantino e a ausência de reinvestimento de valores obtidos com a venda de ativos na melhoria da frota de ônibus.


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