‘Estão optando pelo bem-estar’, diz diretor da Funsat sobre vagas no comércio de Campo Grande

Segundo João Henrique Lima Bezerra, diretor da Funsat, a preferência de parte dos trabalhadores é por jornadas que não incluam fins de semana e feriados
A dificuldade para preencher vagas no comércio de Campo Grande voltou a levantar discussões sobre o perfil dos trabalhadores que buscam uma colocação no mercado. Ao mesmo tempo em que empresas relatam dificuldade para contratar, o Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho) reúne pessoas interessadas em oportunidades temporárias oferecidas pela Prefeitura de Campo Grande.
O programa, que substituiu o antigo Proinc, atualmente tem cerca de 1,5 mil participantes ativos, conforme dados da Funsat (Fundação Social do Trabalho). As vagas são distribuídas entre secretarias municipais, em funções como limpeza, conservação, obras públicas e atendimento a emergências.
Os participantes recebem bolsa-auxílio equivalente a um salário mínimo. Nas vagas destinadas à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), o valor ultrapassa R$ 2,4 mil. O programa também oferece cesta básica, vale-transporte, alimentação durante as atividades e seguro contra acidentes pessoais.
Dificuldade de contratação
Para o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Campo Grande, Adelaido Figueiredo, a dificuldade de contratação ocorre mesmo com a oferta de empregos formais no setor. Ele avalia que a administração municipal deveria concentrar esforços na qualificação e na aproximação entre trabalhadores e empresas.
“É contraditório ver o poder público estruturar uma fila gigantesca para oferecer trabalho temporário, sem carteira assinada, com remuneração de um salário mínimo na maioria dos casos, enquanto a mesma Funsat tem, nesta semana, quase mil vagas de emprego formal disponíveis e sem fila. O varejo oferece emprego com plano de carreira e estabilidade e não consegue preencher as próprias vagas. A Prefeitura precisa direcionar esse esforço para qualificar essas pessoas e criar incentivos que aproximem o trabalhador do comércio, não para competir com a iniciativa privada por mão de obra”, disse.
Mudança no perfil dos trabalhadores
O diretor-presidente da Funsat, João Henrique Lima Bezerra, afirma que o público do Primt possui características diferentes das pessoas que as empresas procuram para preencher suas vagas. Segundo ele, parte das dificuldades enfrentadas pelo comércio também está relacionada à localização dos estabelecimentos e aos horários de funcionamento.
“O Centro está migrando para os bairros. Nos grandes bairros, você pega algumas vias em que o comércio está muito aquecido. Os próprios comerciantes pretendem contratar localmente, e não para a área central”, explicou.
Outro fator apontado pelo diretor é a preferência de parte dos trabalhadores por jornadas que não incluam fins de semana e feriados. “Hoje as pessoas estão optando pelo bem-estar, pela qualidade de vida, pela tranquilidade. E o que é isso? É não trabalhar no final de semana”, afirmou.
Segundo João Henrique, aproximadamente 60% das vagas atualmente disponíveis na Funsat estão relacionadas ao comércio e ao setor atacadista, atividades que, em muitos casos, funcionam aos sábados, domingos e feriados.
Número de vagas
A Funsat afirma que a quantidade de vagas abertas no comércio também mostra que o problema não está relacionado apenas à existência do Primt. “Você vê que 60% das vagas em aberto hoje são para o comércio, atacadistas, que trabalham sábado, domingo, feriados, e você percebe também que cada dia mais tem menos jovens nesse segmento. Está diminuindo o fluxo”, disse João Henrique.
O diretor também destaca que o Primt não abre inscrições de forma permanente. Segundo ele, foram realizadas duas inscrições neste ano. Na atual etapa, 100 pessoas foram convocadas para apresentação. Segundo a Funsat, parte dos selecionados não compareceu.
“Não é que o Primt está tomando vaga no mercado. Abrimos apenas duas inscrições no ano. Como que está tomando vaga no mercado?”, questionou.
Para a Funsat, a discussão passa também pelas condições oferecidas pelas empresas, como remuneração, benefícios e horários. A CDL, por outro lado, defende que o poder público concentre esforços para facilitar a entrada dos trabalhadores em empregos formais.
Fonte: Midiamax








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