Estudo aponta taxa recorde de malformidades em peixes e indica efeito duradouro do desastre de Mariana
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Pesquisa da UFRJ e UFRPE identificou deformidades no ouvido interno em 60,5% dos peixes analisados no litoral do Espírito Santo, o maior índice já registrado no país.
Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) registraram um nível sem precedentes de anomalias em peixes na costa norte do Espírito Santo. Segundo o estudo publicado na revista científica Ocean and Coastal Research (com informações divulgadas pela Jovem Pan), 60,5% dos espécimes analisados da espécie Stellifer naso — conhecida popularmente como cabeçudo-preto ou tambor-estrela — apresentaram deformações.
O percentual representa o maior registro de malformação em peixes na literatura científica brasileira. Até então, o topo do índice nacional era de 27,1%, observado em bagres da espécie Cathorops spixii.
Relação com a lama da barragem de Fundão
As amostras foram coletadas em maio de 2022, quase sete anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). A coleta ocorreu na foz do Rio São Mateus, próximo ao município de Conceição da Barra (ES). Os pesquisadores apontam que a alta taxa de anomalias pode estar diretamente associada à contaminação ambiental persistente dos rejeitos de mineração transportados pela bacia do Rio Doce.
O Stellifer naso é um peixe de águas rasas que habita o fundo do mar, o que o deixa exposto de forma contínua aos sedimentos onde a lama contaminada ficou depositada. As deformidades foram identificadas nos otólitos sagitais, estruturas localizadas no ouvido interno dos peixes e responsáveis pelo equilíbrio, orientação no espaço e audição.
Desafios metodológicos e próximos passos
Apesar dos fortes indícios, o trabalho ressalta que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito definitiva entre a tragédia de 2015 e as malformações, uma vez que não existem dados ou amostras da região coletados antes do desastre para servir de linha de base comparativa.
Segundo o pesquisador Jonas Andrade-Santos, do Museu Nacional da UFRJ, a ausência desses dados prévios reforça a importância de garantir financiamento contínuo para coleções biológicas e estudos ambientais de longo prazo no Brasil.
Nas próximas fases da pesquisa, os cientistas pretendem realizar análises químicas para identificar quais metais pesados e minerais estão acumulados nos otólitos, verificar a ocorrência de anomalias externas nos peixes e manter o monitoramento da região para avaliar se o ecossistema marinho apresenta sinais de recuperação.








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