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Delegado preso por desvio de drogas pede prisão domiciliar: ‘perdeu a vontade de ser policial’

há 20 horas
3 min de leitura
Defesa, advogado José Roberto Rosa (Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Defesa, advogado José Roberto Rosa (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

O delegado prestou depoimento por mais de 1 hora.


Acompanhado de uma equipe com quatro advogados, o delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e preso há 20 dias, passou por oitivas do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), na tarde desta segunda-feira (5).


O advogado José Roberto Rosa diz que a defesa pede que a prisão preventiva seja revertida em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O delegado prestou depoimento por mais de 1 hora.


“Ele perdeu a vontade de estar policial. Ele falou para mim: ‘não sinto mais nenhuma vontade’. A família está desestruturada. Ele, de uma pessoa que realizava prisões, passou a ser ele o prisioneiro. Então, nesse momento, a situação mental não é das melhores”, descreve.

Além disso, o advogado, acompanhado dos colegas João Pedro Fialho, Sergio Roberto da Rosa e Lucas de Nogueira Fulzinatto, voltou a questionar a falta de provas que culminaram na prisão do delegado.


“Independentemente do que foi dito aqui, para se chegar nesta etapa, o Ministério Público já formou uma convicção. Por mais que tudo tenha sido explicado, não tenho dúvidas de que virá uma denúncia e ele se tornará réu. Mas eu não deixei de orientar e disse a ele: a sua Inocência será provada na ponta da caneta.”
“A partir do momento que eu tiver acesso a todos os áudios, inclusive o depoimento de agora, vamos fazer a degravação desse material e vamos pedir a revogação. Entendo que a prisão não é mais necessária, as provas estão postas. É colocar tornozeleira e mandar ele para casa.”

Investigação em andamento

Por fim, o advogado ainda justificou dizendo que o acusado está colaborando com os esclarecimentos durante a investigação, inclusive comparecendo à delegacia no dia da operação.


“Relacionar o malfeito com o patrimônio, a única razão que poderia trazer um grau de desconfiança seria uma apreensão em que houve um evento administrativo em que alguns aparelhos celulares apreendidos não foram encaminhados imediatamente para a Perícia.”
“O que ele explicou foi que, às vezes, chegam inúmeras ocorrências e, naquele dia, não foi suficiente. Naquele dia, esses aparelhos ficaram apreendidos, mas não foram encaminhados para a perícia. Quando houve a requisição do MP, eles foram encaminhados. O grande X da questão é que estão querendo linkar uma falha administrativa com uma suposta participação dele”, pontua.

Advogado anterior preso

Também deve passar por oitivas o advogado Amilton Ferreira de Almeida, defesa anterior de Hoffman e que foi preso por suspeita de vazar informações sobre a operação. Ele já havia solicitado à Justiça o pedido de liberdade.


Hoffman se apresentou no dia 24, acompanhado de Amilton. Já o advogado foi preso durante a Operação Obstructio, no dia 30, um desdobramento da Operação Infiltrados, que investiga a suspeita de vazamento de informações sigilosas durante o cumprimento de mandados na semana passada.


Questionada sobre a suspeita de que o advogado tenha vazado as informações, a defesa de Amilton afirmou que ele não havia sido informado sobre a operação.


“Ele nega isso, até porque ele não teve essas informações; ninguém avisou ele sobre nada. Mas, como advogado criminalista, é óbvio que a gente imagina o que pode acontecer no decorrer do processo. Até por experiência da própria profissão. E suspeitaram que ele tivesse alertado o cliente a respeito da operação, só que ele não alertou, ele nega essas informações”, defendeu a advogada Damares Machado, na época.

Prisão

A operação foi deflagrada pelo Gaeco contra policiais civis no dia 24 de setembro. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.


Nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal foram presos durante a ação. Entre os alvos, estão um delegado, que não foi encontrado, investigadores e um ex-investigador, além dos PMs.


As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas Operações Traquetos e Blindspot, que revelaram a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.


Desvio de droga

De acordo com a investigação, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão, nos registros formais, de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.


A droga desviada é repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.


Os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico.


Fonte: Midiamax




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