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Câmbio foi o primeiro indicador a sentir o reflexo das eleições

há 19 horas
2 min de leitura
Imagem: Wix
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Agronegócio também vai seguir atento em questões como crédito e seguro rural, transição energética, combustível do futuro e acordos comerciais internacionais


O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais já trouxe reflexos para os mercados nesta segunda-feira (5), com forte valorização do real e o dólar chegando a operar abaixo de R$ 5,00. Para o agronegócio, a movimentação cambial pode ter efeitos distintos sobre receitas e custos de produção.


Segundo Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, a queda do dólar tende a pressionar produtores que ainda possuem parcela relevante da produção sem preço definido, especialmente porque muitas commodities agrícolas destinadas à exportação têm sua formação de preços relacionada à moeda norte-americana. Ao mesmo tempo, parcela importante dos custos do setor, principalmente fertilizantes importados, também é influenciada pelo câmbio.


Capuzzi chama atenção, porém, para uma diferença de momento entre essas duas pontas. Produtores que já adquiriram insumos quando o dólar estava mais elevado e ainda precisam comercializar sua produção podem enfrentar uma combinação desfavorável caso vendam com a moeda norte-americana em patamares menores. Segundo ele, eventuais benefícios do câmbio mais baixo sobre os custos devem aparecer posteriormente, especialmente nas novas aquisições para a safrinha.


Além dos impactos imediatos do câmbio, o pesquisador destacou temas que deverão permanecer no centro das discussões do agronegócio durante o próximo mandato presidencial. Entre eles estão o acesso ao crédito público e privado, os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil, a previsibilidade das políticas voltadas aos biocombustíveis e a manutenção das relações comerciais internacionais. 


No crédito, Capuzzi ressaltou o crescimento dos instrumentos privados de financiamento, que complementam os recursos públicos e têm maior presença entre produtores de maior escala e agentes mais integrados às cadeias agroindustriais. Já produtores com menor acesso ao mercado privado continuam mais dependentes das políticas públicas de financiamento. 


Para os investimentos em transição energética, o pesquisador destacou a importância da previsibilidade regulatória. Na avaliação de Capuzzi, regras que sinalizem demanda de longo prazo por biocombustíveis dão maior segurança para produtores e investidores assumirem compromissos de capital em projetos de etanol, biodiesel e outros combustíveis renováveis.


Capuzzi também apontou que o posicionamento internacional brasileiro continuará relevante para o acesso aos mercados. Em um cenário de maior fragmentação das relações comerciais globais, o Brasil pode fortalecer sua posição ao manter previsibilidade diplomática e comercial e se apresentar como fornecedor estável de produtos agroalimentares. 




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