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‘Comprado os caras’: Vorcaro pagou DCM para não criticar Master, diz PF

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Daniel Vorcaro em fotos feitas sendo preso no Complexo Penal 2 de Guarulhos - Reprodução/Youtube/3 em 1
Daniel Vorcaro em fotos feitas sendo preso no Complexo Penal 2 de Guarulhos - Reprodução/Youtube/3 em 1

Documentos apontam que site teria recebido pagamentos de R$ 50 mil mensais para ‘bater em inimigos’


O banqueiro preso pelo escândalo do Master, Daniel Vorcaro, pagou ao site “Diário do Centro do Mundo (DCM)” para que parassem com críticas ao banco e realizassem uma “limpeza de imagem do banqueiro”, conforme aponta a Polícia Federal (PF), em documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e tornados públicos pelo ministro André Mendonça na terça-feira (16). Segundo a PF, o site de esquerda recebia pagamentos de R$ 50 mil mensais para evitar notícias negativas contra o Banco Master.


De acordo com os investigadores, o Diário do Centro do Mundo foi “cooptado por determinação expressa de Vorcaro” para deixar de veicular notícias negativas sobre o Master e fazer o oposto “contra seus inimigos” mediante pagamento. Os valores eram repassados “ao DCM e mais 2 editores”, por Luiz Phillip Mourão, o “Sicário”, apontado pela investigação como membro da milícia privada de Vorcaro, de acordo com mensagens de julho de 2024.


A investigação ainda mostrou irritação do banqueiro com notícias negativas sobre o Master publicadas pelo site. Mensagens entre Vorcaro e Sicário, de setembro de 2024, falam sobre “comprar os caras” e “derrubar o blog”, após publicação falando sobre processos contra o Master.


Nas mensagens, o banqueiro critica a atuação do DCM: “Tem que derrubar urgente. Derrubar de vez esse blog. Achei que tínhamos parceria. E tínhamos comprado os caras“. Segundo a PF, a conversa “sugere a intenção de influenciar a linha editorial do veículo mediante compensação econômica, comprometendo a independência da imprensa”.


Outra conversa entre os dois, de outubro de 2024, Vorcaro reclama novamente de notícias negativas publicadas pelo Diário e sugere “contratar” o site para “bater em inimigos”.


Suposta parceria

Logo após a reclamação do banqueiro e sugestão de pagar o site de notícias, Sicário encaminhou uma mensagem dizendo que “o pessoal do DCM está perguntando sobre a parceria“. Vorcaro encaminhou uma mensagem com a resposta: “50k mês?”. Em seguida, Mourão afirmou que encaminharia a “proposta”.


O site volta a ser mencionado nos documentos enviados pela PF, por uma conversa de setembro de 2025, quando Sicário pediu ao banqueiro para providenciar com seu cunhado Zettel alguns pagamentos. “Olha com o Fabiano para mim, o cara do DCM já inclusive me cobrou (ele é um nojo). Para manter o da turma dos meninos e dos redatores lá. Me ajuda com isso”. Vorcaro confirmou, respondendo somente um “ok”.


Quando a suspeita de pagamentos para o DCM veio à público, mencionada em decisão de Mendonça, o site disse que “não recebeu recursos, pagamentos ou qualquer benefício das pessoas investigadas na operação e não possui qualquer relação com os fatos apurados”. 


Defesa do DCM

O Diário do Centro do Mundo publicou em nota que não teve seu nome completo citado na Operação Compliance Zero, afirmando não saber a que se refere a sigla citada.

No documento judicial, há a transcrição de uma conversa privada em que aparece a sigla “DCM”. Em nenhum momento a decisão identifica essa sigla como sendo o Diário do Centro do Mundo, tampouco menciona o nome do veículo, sua razão social (NN&A Produções Artísticas Ltda.) ou qualquer integrante de sua equipe.

O advogado do site, Francisco Ramos, se pronunciou defendendo que o Diário do Centro do Mundo não é citado nominalmente e que nenhum jornalista ou colaborador do DCM aparece como investigado ou é mencionado nas investigações. Ele também nega pagamentos ou contratos com Vorcaro e fala que as conversas que circulam são privadas e de contexto desconhecido.

Não há qualquer registro documental que associe o veículo a pagamentos ou contratos com os investigados. Além disso, o material que tem circulado publicamente consiste em supostas conversas privadas vazadas, cuja autenticidade, integridade e contexto são desconhecidos, e que não possuem cadeia de custódia verificável no espaço público.

A defesa do DCM ainda fala que a associação do site com Vorcaro por meio dessas conversas pode ser “potencialmente difamatória”. A nota também defende que o Diário do Centro do Mundo foi um dos veículos jornalísticos que mais publicou matérias contra o Banco Master e seu dono, contrariando a hipótese da contratação.


Fonte: Jovem Pan

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