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Com 90% das urnas apuradas, Fujimori tem 50,4% contra 49,6% de Sánchez no Peru

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à Presidência do Peru - STRINGER / AFP
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à Presidência do Peru - STRINGER / AFP

Com vantagem mínima para a candidata direitista, país aguarda votos das zonas rurais que podem favorecer a esquerda e reverter o cenário


A eleição presidencial no Peru segue em cenário de incerteza nesta segunda-feira (8). Com pouco mais de 90% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a disputa contra o rival de esquerda Roberto Sánchez por uma margem inferior a um ponto percentual, insuficiente para definir um vencedor.


A vantagem de 50,4% contra 49,6% tende a encurtar à medida que avançam os dados das áreas rurais, reduto onde Sánchez apresenta melhor desempenho. “Por enquanto, não há vencedor. Os próximos dias serão longos”, declarou Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori.


A disputa ocorre em um país mergulhado em crise política crônica, tendo alternado oito presidentes desde 2016. O pleito evidenciou novamente a fratura social peruana: o litoral apoia majoritariamente Keiko, enquanto o sul rural e indígena dos Andes cerra fileiras com Sánchez.


Propostas e contrastes

A segurança pública dominou o debate, em um cenário onde a capital, Lima, projeta uma taxa de 23 homicídios por 100 mil habitantes para 2025 — o triplo de cinco anos atrás. Keiko Fujimori prometeu mobilizar o Exército para apoiar a polícia, desmantelar redes de extorsão e deportar imigrantes condenados.


Já Roberto Sánchez, que faz campanha com o chapéu camponês símbolo do ex-presidente preso Pedro Castillo, foca seu discurso na reforma das instituições, no fortalecimento do Judiciário e na reestruturação policial. Ele pediu que seus apoiadores “aguardem atentamente” os resultados finais.


Divisão nacional

Cerca de 27 milhões de peruanos foram às urnas em um processo obrigatório que, apesar da polarização, transcorreu sem graves incidentes. No entanto, a baixa representatividade preocupa: somados, os dois candidatos obtiveram menos de 30% dos votos no primeiro turno.


“Quem quer que vença terá metade do país contra si”, avalia o analista Paulo Vilca, do Instituto de Estudos Peruanos (IEP).

Heranças políticas

Keiko Fujimori, de 51 anos, disputa a presidência pela quarta vez. Ela defende o legado econômico do pai, Alberto Fujimori (1990-2000), embora ele tenha sido condenado por corrupção e crimes contra a humanidade.


Roberto Sánchez, congressista de 57 anos, apresenta-se como herdeiro político de Pedro Castillo — preso desde a tentativa fracassada de dissolver o Parlamento em 2022. Sánchez já prometeu indultar o aliado caso seja eleito.


Independentemente do resultado, o próximo presidente enfrentará um Congresso fragmentado e sem maioria, sendo obrigado a costurar alianças para garantir a governabilidade até o fim do mandato. A posse está marcada para o dia 28 de julho.



Fonte: Jovem Pan



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