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Após vistoria, Sesau cobra explicações da Santa Casa por cirurgias atrasadas

  • 12 de jun.
  • 4 min de leitura
Santa Casa de Campo Grande. (Foto: Léo de França, arquivo Jornal Midiamax)
Santa Casa de Campo Grande. (Foto: Léo de França, arquivo Jornal Midiamax)

Hospital passou por visita técnica do MPMS na última quarta-feira (10)


A Santa Casa de Campo Grande recebeu uma notificação formal da Gerência de Pactuação, Controle e Avaliação da Sesau (Secretaria Municipal de Campo Grande), nesta sexta-feira (12), solicitando esclarecimentos após ser constatada uma “grave crise assistencial” no hospital.


O complexo passou por visita técnica realizada pela equipe de Controle e Avaliação da Sesau e pelo Naes (Núcleo de Apoio Especial à Saúde) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), na noite de quarta-feira (10). Na ocasião, foram constatados superlotação da Ala Vermelha, insuficiência de equipes de anestesistas e sucessivos cancelamentos de cirurgias sem justificativa.


Dessa forma, a administração municipal solicita ao hospital um parecer, além de um “plano de ação corretivo” em relação à baixa utilização da capacidade do centro cirúrgico; bloqueio de leitos; superlotação do pronto-socorro; e à fila de pacientes aguardando cirurgias ortopédicas.


Além disso, a Sesau afirmou que articula um plano de contingência com o Hospital Adventista do Pênfigo para viabilizar a realização das cirurgias ortopédicas atrasadas. “Aguardamos apenas o envio, por parte da Santa Casa, das informações necessárias para que os encaminhamentos sejam efetivados. A instituição deverá apresentar justificativas e medidas para regularização dos problemas apontados, sob pena da adoção das providências administrativas cabíveis”, diz a nota encaminhada à imprensa.


Equipes insuficientes e superlotação

Durante a inspeção, foi constatado que apenas quatro salas do centro cirúrgico estavam em funcionamento, devido à falta de equipes de anestesistas para manter a escala regular das demais salas. Além disso, a Ala Vermelha do hospital estava operando em superlotação. Durante a visita, foram contabilizados 83 pacientes em um local com capacidade para atender apenas seis.


Outro problema identificado no hospital foi a retenção de macas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros, uma vez que os pacientes não tinham um local adequado para permanência até o atendimento.


As equipes também ouviram relatos de pacientes que alegaram espera de vários dias pela realização de cirurgias previamente agendadas, permanecendo em jejum prolongado. Foram apurados, ainda, registros de sucessivos cancelamentos sem justificativa apresentada.


“O cenário observado evidencia um quadro de grave crise assistencial na unidade, demandando a adoção de medidas emergenciais concretas por parte da gestão estadual, municipal e da própria instituição”, concluiu o Ministério Público.

O que diz a Santa Casa?

Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Santa Casa de Campo Grande explica que o funcionamento do centro cirúrgico é definido com base em critérios técnicos e na demanda por procedimentos ao longo do dia. A instituição afirmou que o maior número de equipes está concentrado em períodos de maior movimento, enquanto, durante a madrugada, a prioridade é atender casos de urgência e emergência.


Dessa forma, o hospital alega que a redução do número de salas abertas em determinados horários não significa diminuição da capacidade de atendimento, uma vez que equipes médicas, anestesistas, profissionais de enfermagem e toda a infraestrutura necessária permanecem disponíveis para atender casos que exigem atenção imediata.


Conforme a Santa Casa, foram realizadas 5.203 cirurgias entre 12 de março e 12 de junho deste ano. Desse total, 4.096 ocorreram nos períodos matutino e vespertino, 872 no período noturno e 235 durante a madrugada. Conforme a instituição, 1.107 procedimentos foram realizados fora do horário comercial, o equivalente a 21,3% da produção cirúrgica do período.


“Importante ressaltar que a estratégia de dimensionamento das salas cirúrgicas não se baseia na simples manutenção de estruturas físicas abertas, mas sim na adequada alocação dos recursos assistenciais de acordo com o comportamento da demanda. Dessa forma, a instituição mantém sua máxima capacidade operacional nos horários de maior concentração de procedimentos e, nos períodos de menor intensidade assistencial, concentra seus esforços no atendimento das urgências e emergências, preservando a eficiência operacional, a segurança dos pacientes e a sustentabilidade dos serviços prestados.
Tal modelo de gestão permite compatibilizar a capacidade técnica e operacional do hospital com as necessidades reais da população, garantindo a manutenção da excelência assistencial e a utilização responsável dos recursos públicos destinados à saúde”, diz a nota.

Por fim, a Santa Casa alega que opera há anos sob grave desequilíbrio econômico-financeiro, sdevido ao histórico de subfinanciamento do SUS e da insuficiência dos recursos destinados à manutenção de serviços de alta complexidade. O hospital afirma, ainda, que continua acolhendo centenas de pacientes encaminhados diariamente pela regulação municipal, mesmo diante das limitações impostas pelo cenário de subfinanciamento.


Confira abaixo trecho do posicionamento do hospital:

“A instituição recebe com naturalidade a atuação dos órgãos de fiscalização, reconhecendo sua importância para o fortalecimento das políticas públicas de saúde. Entretanto, a análise de situações pontuais, dissociada do contexto estrutural em que se insere a assistência hospitalar, não traduz a realidade enfrentada diariamente por quem está na linha de frente do atendimento à população.
A Santa Casa de Campo Grande permanecerá aberta ao diálogo, à fiscalização e ao aperfeiçoamento contínuo de seus serviços.”

Fonte: Midiamax


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